A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

LIDERANÇA cristã



Fico pensando no tipo de filosofia de liderança que nós cristão desenvolvemos. Tento, através de uma leitura da demonstração e da filosofia que encontro no Cristo dos Evangelhos, traçar uma comparação com nossa atual filosofia de ministério. Coloco alguns pontos que percebo na práxis de Jesus, o Cristo


1-A liderança de Jesus é de nivelamento

2-A liderança de Jesus é serviçal

3-A liderança de Jesus é empática

4- Demonstra humildade, ou fraqueza. Partindo do pressuposto de que Jesus é Deus e são a mesma pessoa, Deus se torna um ser vulnerável, homem, fraco.

A construção de nosso discurso sobre liderança e outros assuntos ético-sociais, é na verdade uma apropriação, talvez indevida, de postulados éticos, adaptados à exigências sócio-politico-culturais de um determinado contexto histórico que não é o nosso. Há uma diferença espaço-temporal de quase dois mil anos.


Minha crítica está em que nós, a partir dessa apropriação, fundamos uma ideologia politico-religiosa, consciente ou inconscientemente, na repetição da tradição. Ideologia porque a doutrina pela qual se baseia a filosofia de liderança é interpretada ilegitimamente, transformando-se numa ferramenta que pode ser usada para o bem (o que acho improvável) ou para o mal.


Gosto da liderança de Jesus. Gosto desse nivelamento, o se tornar igual, descer da plataforma e se tornar homem.

Gosto do tornar-se servo de todos, lavar os pés daqueles que caminham juntos para um único fim, ser um cura d’alma.

Gosto do envolvimento genuíno, da comunga, do face a face.

Gosto da fraqueza, do ser homem, e não deus, de ser de carne e osso como os outros...

Jesus é realmente um exemplo de liderança humana, em todos os sentidos. Aprendamos com ele.


Jonathan

Alegoria de Gn. 1,1-2

Hoje tivemos o privilégio de ouvir na aula de português um "compartilhar da palavra" oriundo da mente e do coração de nosso amigo Everton, o "radical".

Uma alegoria pois foi o modo hermenêutico que se utilizou para nos apresentar, de forma inusitada ao menos para mim, relacionando a terra do texto de Gn. 1,1-2 com a vida e preparo de seminaristas aqui na "sacro-santa" colina. A terra e nós somos deserto e desilusão, uma disformidade que precede a ação efetivamente divina. Nos dias que nos trazem à colina, Deus trabalha diariamente em vidas que se sensibilizaram a buscar o conhecimento dos discursos a respeito de Deus. Dessa forma, ao fim da obra, a formação do nosso ministério, esperamos ouvir dos lábios metafísicos do Criador, "...e viu Deus que isso era bom, e foi-se o primeiro dia..." Brevemente poderá o Criador descançar?

Obrigado Everton por mostrar que é possível pensar teologia seriamente e ainda permitir que palavras dessa teologia sejam impregnadas de sinceridade do coração dos que buscam o Cristo.


SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS...

Thiago Barbosa

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Resposta de um Pós Moderno

Há, há!!! Gostei do pós modernista!!!
Bem meu amigo, não me considero pós modernista, apesar de gostar dessa coisa individualista/subjetivista dessa epistemologia. Espero sim ser um filósofo, é meu sonho, minha meta. Desejo analisar "as coisas" levando em conta a ação de minhas próprias preconcepções, de meus preconceitos, sem no entanto retomar a pretensão de conhecer, alcaçar a realidade, a objetividade dessas "coisas" a partir de uma neutralidade inesistente.

Jonathan

Advogando em causa própria.

Hoje a discussão me ocasionou comichões, mas gostei. Sempre é bom ouvir um cientista falar, e o David (nosso colega americano de classe o é) falou bem, claro que totalmente comprometido com sua fé. Mas não é uma realidade absurda a que diz que todos temos nossa própria fé (em algo ou alguem) e inevitavelmente estamos sempre advogando em causa própria, eu com a evolução, David com a química pré-biótica, Jonathan com sua filosofia pós-modernista, pastores e religiosos com sua ontologia. Todos somos atrelados a nossas crenças e inevitavelmente advogamos em causa própria, mas a argumentação é feita permitindo o diálogo ou somos membros de um monólogo epistemológico?

Encontrei mais um ótimo texto do Marcelo Gleiser, aqui o reproduzo para nossa meditação sobre a fé e a ciência, com o intuito de permitir e fomentar o diálogo e nunca o monólogo.



A primeira causa



O propósito da ciência não é responder a todas as perguntas; sua missão é outra


Hoje, retorno a uma questão que parece boba, de tão simples. Mas talvez seja a mais complexa que podemos tentar responder. Tanto que, no meu livro "A Dança do Universo", chamei-a de "A Pergunta". Aí vai: como tudo começou?


O que complica as coisas é que pensamos sobre tudo como um encadeamento simples de causa e efeito: cada efeito tem uma causa que o precede.

Quando vemos uma bola de futebol voando, é porque alguém a chutou; se um carro passa na rua, é porque alguém está dirigindo; se a planta cresce, é porque consegue extrair nutrientes do solo e usar a luz solar como fonte de energia; se o Sol brilha, é porque em seu centro hidrogênio está sendo fundido em hélio, liberando quantidades enormes de energia; se o Sol existe, é porque uma nuvem de hidrogênio entrou em colapso há cerca de 4,6 bilhões de anos, atraída pela própria gravidade...

Se continuarmos nessa linha, terminamos, paradoxalmente, no começo de tudo, a origem do Universo. Se o Universo existe, "algo" o fez existir.

A primeira causa é o impulso inicial da criação. Assim ela tem sido vista desde que religiões começaram a tentar explicar o enigma da origem de tudo. No caso da religião, a estratégia funcionou bem: dado que deuses são entidades sobrenaturais, eles não vivem no tempo, tendo uma existência atemporal, eterna. Assim sendo, regras de causa e efeito, ou mesmo a mera aplicação do bom senso, não valem para divindades.

Uma vez que se aceita que algo pode existir fora do tempo e pode ter poderes absolutos que transcendem as leis da natureza, tudo é possível. Até a criação a partir do nada. No Gênese, Deus criou a luz e separou as águas da terra através do verbo. Segundo Santo Agostinho, que muito se preocupou com esse assunto, o tempo e o espaço surgiram com o mundo. Antes da criação, não havia o "antes", pois o tempo não existia. Outras narrativas de criação do mundo resolvem a questão da primeira causa de forma semelhante, postulando a existência de entidades divinas e, portanto, alheias aos vínculos temporais que tanto nos limitam.

E a ciência? Será que é possível resolver a questão da primeira causa de modo científico? Esse é um debate ferrenho que, infelizmente, entrava o progresso cultural da humanidade. Remete-nos a "guerras" inúteis contrapondo ciência e religião, como se a ciência tivesse como função substituir a fé religiosa, uma grande distorção.

Se as pessoas acreditam que a ciência é capaz de responder a todas as perguntas, incluindo a questão da primeira causa, elas se sentem justamente ameaçadas: parece que a ciência tem como missão "roubar" Deus das pessoas. De forma alguma: ao contrário do que muitos dizem, não é essa a missão da ciência. A ciência não se propõe a responder a todas as perguntas. E por um motivo simples: nós nem sabemos que perguntas são essas. Dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma narrativa científica completa.

Sempre existirão questões não perguntadas e não respondidas; e mesmo questões que nada têm a ver com a ciência. A escolha do que fazemos com essa nossa ignorância perene é pessoal: existem aqueles que preferem optar por ter fé em entidades sobrenaturais e existem aqueles que, como eu, preferem aceitar a simplicidade do não-saber. Não ter todas as respostas é a pré-condição para o nosso crescimento. Nesse sentido, mesmo se a ciência não resolver o enigma da primeira causa -e existem obstáculos complicados que ficam para outro dia-, prefiro continuar tentando e aceitar que, por ser humano, minha visão de mundo tem limites.



Sempre buscando o diálogo.

Thiago Barbosa


sábado, 26 de setembro de 2009

Espírito Protestante


Quanto mais me aproximo da história protestante, mais me realizo, mais me conforto, mais me inspiro:


"A Reforma do século XVI, liderada por Martim Lutero, foi um poderoso movimento de luta pela liberdade. Lutero promoveu um movimento de renovação da igreja cristã, que atingiu a vida de pessoas e de comunidades. Já em 1520 afirmou enfaticamente que "um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém - pela fé. O cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor." A fé e a graça de Deus libertam todos e todas da lei (para ser salvo deve fazer isso, deve fazer aquilo...), do pecado e da morte. Colocam todas as pessoas no mesmo nível; todos são dependentes da graça de Deus (Romanos 8). A Reforma influenciou e criou novas experiências com Deus; relativizou doutrinas e poderes eclesiásticos; e codificou teologias novas para legitimarem espiritualidades que religam a pessoa humana diretamente com Deus, tornando-a livre para participar da criação de nova vida.

Novamente é tempo de perguntar pela importância da Reforma e pela sua contribuição para as cristãs e cristãos, como movimento histórico vivo e presente nos dias de hoje. Afinal, nossa sociedade está fortemente marcada pelo conhecimento, pela automação, pela informação. Trata-se de uma nova etapa da história humana. Cresce uma consciência planetária coletiva que muda padrões de comportamento, as relações com o outro e com a natureza, que transforma os valores da subjetividade e de outras dimensões da vida humana. Neste novo momento histórico, nesta nova etapa da vida humana, somos desafiadas e desafiados a indagarem pela liberdade. Há liberdade entre nós? Os cristãos vivem como corpo vivo de Cristo, livre e atuante nesta nova etapa histórica? O pluralismo doutrinário das igrejas cristãs, marcado pelo legalismo e pelo fundamentalismo, as novas propostas espirituais e comunitárias, permitem a influência da

Reforma e sua busca por liberdade?

Em meio a estas e outras perguntas, ávidos por respostas convincentes e completas, proponho um pequeno desvio para duas passagens bíblicas em que Jesus é o protagonista. Primeiro, aquele relato de João 8. 31ss. Jesus afirma aos que acreditaram nele: "Se vocês obedecerem às minhas palavras, serão de fato meus seguidores e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará." Os que cercavam Jesus responderam: "Nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz que seremos livres?" O diálogo de Jesus continua. Mas, quero extrair da passagem o fato de Jesus propor a liberdade para pessoas que não tinham a consciência de escravos; entendiam-se como livres. Creio ser este o grande desafio da Igreja de Jesus Cristo, em nossos dias; qual seja: como anunciar a liberdade para quem vive a ilusão de ser livre? A procura das pessoas por Deus não privilegia o todo da sua dimensão humana como criatura de Deus e não pressupõe o seu estado de escravidão. Mas, tem a característica de uma procura para resolver problemas individuais, pessoais e casuísticos; fazendo de Jesus um mestre fundamentalista, moralista e legalista, um curandeiro barato; e do Espírito Santo um poder que sopra e batiza só onde alguns querem e preferem, um terapeuta e massagista das dores espirituais e outras da dimensão subjetiva da pessoa humana. O propósito, o alvo, então, passa a ser o prazer "espiritual", satisfação individual, ganhos econômicos e materiais, privilégios pessoais e coletivos, em detrimento a escravidão dominadora e nefasta não admitida , assumida e denunciada.

A segunda passagem bíblica que contribui para as respostas que buscamos, é aquela em que Jesus cercado por uma grande multidão, mesmo cansado, continua sua atuação libertadora. Ali Ele percebeu que aquelas pessoas, além de famintas, "pareciam ovelhas sem pastor"(Marcos 6.30ss.). Destaco a percepção de Jesus. Como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo somos desafiados e desafiadas a admitirem que a massa humana, as multidões famintas e escravas, vivem como ovelhas sem pastor. Mesmo reconstruindo valores e padrões de comportamento, mesmo com todas as informações, tecnologia e conhecimento estão sem rumo e caminho, sem a verdade e liberdade, sem vida.

Corremos um grande risco nesta nova etapa histórica que sofremos e vivemos: a possibilidade de fazermos grandes e bonitas experiências espirituais, de reabilitarmos a cultura religiosa, de redescobrirmos a importância do espírito humano, de reunirmos grandes multidões maquiadas por discursos bíblicos e teológicos, porém vazios do conteúdo da fé no Cristo de Deus, longe do Jesus Cristo da cruz e da ressurreição; afastados do Deus de amor que morreu e ressuscitou para vencer a nossa escravidão e doar a liberdade, transformando os que crêem em vidas novas que participam da criação de nova vida.

As pessoas, o povo, a igreja, toda a humanidade, necessitam de liberdade e fé. Graças a Deus a Reforma luterana canta neste tom da liberdade, com a harmonia da fé no Cristo da Cruz e da ressurreição, o Cristo de Deus."
P. Guilherme Lieven

Jonathan

Viva a Liberdade!


Em nome do espírito protestante, do ideal de LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, o qual me aproximo. Algo de tanto valor histórico e de extrema importância para minha própria história, privado dos protestantes brasileiros, essência da fé evangélica. Posto esse belíssimo artigo:

“Pois o Ano da Libertação é sagrado para o povo” (Lv25.12a)Um dos nomes dados para os herdeiros da reforma, liderada por Lutero, entre outros, foi o de Protestantes. A expressão surge por causa do protesto dos príncipes governantes perante o Imperador Carlos V que buscava a unidade política pela unidade da fé cristã, segundo o rito romano. A partir desse momento o termo protestante foi vinculado à luta pelas liberdades essenciais para uma cidadania fundamentada na consciência iluminada pelas palavras de Deus. Mais tarde, essas liberdades serão complementadas pelos movimentos de independência e de criação das repúblicas, na Europa e nas Américas.Contudo, esse núcleo do protestantismo já tinha sido manifestado por Lutero em 1521, em Worms, no discurso perante o mesmo Imperador Carlos V, que esperava escutar dele uma retratação. Nele, Lutero diz: “Minha consciência está presa nas palavras de Deus, não posso nem quero retratar-me de nada, porque agir contra a consciência não é prudente nem íntegro”. Desde então, em parte, o protestantismo ficou configurado como: resistência, protesto e proposta.Agora, buscando vincular a herança protestante com a data cívica da Independência do Brasil, perguntamos: Será que o protestantismo no Brasil, na sua dimensão de resistência, protesto e proposta, acabou na Independência em 1822? Será que as liberdades conquistadas desde a Independência - passando pela Proclamação da República em 1889 - até hoje tornaram o protestantismo caduco? Será que os protestantes devem ser considerados peças de museu?Lamentavelmente o trabalho pelas liberdades fundamentais ainda não acabou. Constantemente há novas situações que exigem novas liberdades a serem alcançadas. E há circunstâncias que ameaçam as liberdades já conquistadas. Como exemplo, podemos mencionar:1 - O protestantismo precisa lutar a favor da liberdade diante das novas formas de opressão religiosa que vêm explorando as pessoas, enriquecendo e fortalecendo estruturas e organizações religiosas perversas. Nesses grupos religiosos, a fé da pessoa passou a ser medida pelos bens e a bênção de Deus é vendida. De maneira que a graça de Deus (o amor de Deus que perdoa e restaura) já não é de graça, custando à pessoa aflita e necessitada seus recursos e até a vida. 2 - O protestantismo necessita levantar a voz para alertar sobre a presente ameaça à separação da Igreja (religião) – do Estado, fundamento para um Estado Laico e Moderno. A violência a este princípio vem sendo realizada mediante vários atos. Um deles teve lugar nesta quarta-feira, dia 26 de agosto, no Plenário da Câmara de Deputados. Nele foi aprovado o Projeto de Decreto Legislativo 1736/09, acordo entre o Brasil e a Santa Sé, relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, chamado comumente de Concordata, e o Projeto de Lei 5598/09, dos evangélicos, que busca regulamentar o livre exercício de crença e cultos religiosos, chamado também de Lei Geral das Religiões. 3 – O protestantismo se encontra compelido a reafirmar que a liberdade religiosa faz parte dos fundamentos de todas as liberdades cidadãs. Toda vez que o Estado interfere nesse âmbito, seja para regular a prática e/ou conteúdo da fé, individual e institucionalizada, além das normas do convívio social estabelecidas nas leis, ou então para oferecer garantias, se trata de um intervencionismo que fere a liberdade cidadã e lesa a liberdade religiosa. Por isso, os projetos antes mencionados não podem ser legitimados sob o argumento de regulamentação do direito constitucional da liberdade religiosa.4 – O protestantismo, defensor da liberdade de consciência, não pode permitir que a pluralidade cultural e religiosa do Brasil seja tolhida pelo falso cenário de polarização das forças religiosas, sugerido pelos projetos, antes mencionados, e que lutam pelo poder e controle religioso no âmbito social. O protestantismo entende que a diversidade religiosa só existe na sua máxima expressão de liberdade se o principio do Estado Laico, como onerosa tradição democrática do Brasil, é mantido.5 – O protestantismo, defensor da liberdade de consciência, necessita acompanhar e/ou propiciar as discussões sobre bioética, saúde pública, planejamento familiar, gênero e meio ambiente, entre tantos outros temas, a fim de alcançar uma legislação que conserve a tensão entre a responsabilidade individual e coletiva que proteja as pessoas e a sociedade por meio das instâncias competentes. 6 – Para o protestantismo a liberdade de consciência não é fundamento para a liberdade irresponsável e muito menos para o convívio na indiferença. Liberdade de consciência significa voz profética, voz que não permite à pessoa se tornar refém de projetos que contrariem a consciência. Em virtude disso, o Protestantismo não pode silenciar perante as diversas situações de corrupção que dilaceram o tecido e o convívio social. Ele deveria ser o primeiro a exigir a verdade, a justiça e a honestidade, bases para a paz cidadã.Enfim, para o protestantismo vir a ser, ou não, peça de museu, vai depender dos próprios protestantes. Você e eu, que desfrutamos das liberdades alcançadas pelos nossos antepassados temos um árduo caminho a ser percorrido. Que o Santo Espírito de Deus ilumine a nossa consciência com as palavras de Deus para podermos agir com discernimento, para que aquela Independência, iniciada em 1822, possa se tornar mais plena, alcançando os diversos cantos da nossa sociedade.

Pastor Pedro Puentes ReyesParóquia Ev. Lut. no Vale do Paraíba - SP



Quero ser protestante! Jonathan


Se colocamos nossa fé apenas num conjunto de doutrinas, somos os mais miseráveis desse mundo!

Jonathan

Darwinismo social - saia dessa...

Novamente emanam do "Peroratio" questões que reviram o âmago da teologia seriamente pensada.



(2009/493) Jimmy Carter deixa a Southern Baptist Convention


1. Recebo do Élcio Sant'anna e-mail "repercutindo" a tradução de artigo de Jimmy Carter, publicado em 12/07/09 no The Observer, da Inglaterra, dando conta de seu afastamento da Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos). O e-mail consiste da transcrição da tradução do artigo feita por Gustavo K-fé Frederico, e publicada originalmente em 20/09 no Pavablog.

3. Algumas breves considerações. Já havia ouvido falar desse realinhamento misógino da Southern Baptist Convention (1). Deplorável. Mas se trata, afinal, da mesma região escravagista de há duzentos anos, e ainda muito, muito fortemente racista. A misoginia é apenas mais um traço do caráter dessa região. É lamentável que o povo do sul dos Estados Unidos, não marcado por eses traços imorais, porque acredito que haja gente saudável ali, não tenha forças - e se tem, não a usa - para limpar esse câncer, essa alma de KKK, para extirpar esse tumor. Recuso-me a citar versos bíblicos para defender a igualdade entre brancos, negros, homens e mulheres. Se a Bíblia defendesse escravidão - e há passagens até que a legitimam e/ou a toleram! - ou o tratamento das mulheres como inferiores - e há, sim, inúmeras passagens que inferiorizam as mulheres, e legitimam seu tratamento misógino -, eu simplesmente dava de ombros, e optava pela mulher, pelo negro, pelo homem livre. A Bíblia, aí, está errada. Quem diz amar a Deus e aborrece seu próximo é mentiroso - até, eventualmente, autor sagrado que o faça...

4. "Mas meus colegas Anciãos e eu, que viemos de várias fés e históricos, não precisamos mais nos preocuparmos com ganhar votos ou evitar controvérsias – e nós estamos profundamente comprometidos em desafiar a injustiça aonde quer que a vejamos". Eis, aí, confessada, a razão porque muitos dos postulantes a pastores "fazem contas", quando estudam Teologia. Medem o que devem e o que não devem aprender em função das contas que fazem, dos cargos que querem, dos projetos que almejam, e permanecem pactuados com toda sorte de imoralidade política. Oxalá nossa geração não precise chegar à velhice para ter coragem. A comodidade de o dizer somente quando velho carrega sobre si o crime de acobertar-se, enquanto jovem e político, os crimes que a velhice denuncia, mas a juventude já reconhecia. Desde 1999 os batistas do sul afirmam a inferioridade da mulher - isso faz já 10 anos!

5. "Embora não tenha estudo em religião ou teologia, eu entendo que os versos cuidadosamente selecionados encontrados nas escrituras sagradas para justificar a superioridade dos homens se devem mais ao tempo e ao lugar – e à determinação de líderes masculinos que mantêm sua influência – do que a verdades eternas. Trechos bíblicos similares poderiam ser achados para apoiar a escravatura e o consentimento tímido a ditadores opressivos". Não é preciso mais nada a ser dito. Esse parágrafo encerra a mais lúcida compreensão da visão geral das Escrituras. Mas não é apenas um arranjo ou outro de versículos que constitui dívida ao tempo e ao lugar - tudo nelas, absolutamente tudo na Bíblia é próprio de seu tempo e de seu lugar. Nada há, ali, que não seja cultural, circunstancial, histórico. A fé, eventualmente, que aprenda a lidar com isso e não esconda tão ululante obviedade das consciências.

6. Os batistas brasileiros, lamentavelmente, nesse aspecto, descendem dos batistas do sul. Há um DNA político-direitista, machista, fundamentalista, em nós. É necessário que reconheçamos nossa origem, se temos consciência e orgulho de sermos quem somos. Mas a consciência passa pelo reconhecimento de que há imoralidades profundas, crimes monstruosos, em nossa tradição "sulista", imoralidades de ordem política, antropológica, tradicional, que precisam ser extirpadas. O tratamento inferior concedido às mulheres é, apenas, um deles. Mas igualmente nefasto é um biblicismo de cabresto, máquina da manutenção da irracionalidade espiritual que grassa em nosso meio, e que permite aos loucos de plantão manipularem com toda a facilidade nosso rebanho.

7. Demoraste, Jimmy - e muito! Mas antes tarde do que nunca.


Realmente Osvaldo, é triste notarmos nosso atrelamento que em muito excede a história com os americanos do Sul. De lá veio coisas que amo, aqui cito o blues (mesmo sendo este o "banzo" dos escravos americanos, mas é puro sentimento). Continuo amando o sentimento que ocasiona mudança de mente e liberdade. A luta do reverendo Luther King deveria excitar como teologia da libertação (teologia negra) como a dose de prozac intravenosa que é. Mas nós, atrelados à ideologia arcaica dos batistas do sul nos escondemos sob a mediocridade da escravidão epistemológica.

Devíamos assumir a necessidade de um zumbi dos palmares em nossas reflexões teológicas, permitir que a liberdade finalmente nos faça cristãos e não cristianizados, permitir que sejamos reclusos em nossos quilombos, onde não há ostentação, mas há sinceridade e verdade. Dos campos de algodão americanos e dos canaviais e cafezais brasileiros vem o sussurro da gera o conhecimento de "ser e assumir ser cristão".

Lembro-me de uma fala de Caio Fábio sobre os "politicamente corretos". Ser "politicamente correto" é assumir a covardia na luta pela liberdade, é ter-se como manipulável, e entender-se sob os olhos tendenciosos de uma liderança malévola, é necessitar ser aceito - mesmo pela contradição de sua própria cognição - apenas no intuito de ser aceito por uma hegemonia.

O que vemos na denuncia de Jimmy Carter é a deturpação das ciências sociais sobre os conceitos emanados da ciência biológica. O que vemos é a continuidade de uma proposição iniciada no fim do século XIX. O que vemos é O "darwinismo social", é buscar dar aparência de ciência à uma conduta deplorável quanto ao ser humano. Foi o estratagema que buscou positivar o colonialismo europeu sobre os africanos, é o que positiva o imperialismo americano sobre o mundo, é o que positiva a descarada usurpação dos pobres pelos ricos, é a deturpação da consciência humana na intenção de aprovar o domínio do forte sobre o fraco. E a igreja institucional atrelada a tudo isso provando sua ligação social transviada, advogando - como sempre - em causa própria. Deplorável.

Jimmy Carter aprendeu, nós aprenderemos?


Thiago Barbosa

Aos missionários

"Que cada cristão reconheça a obrigação de compartilhar sua fé para que pessoas venham a conhecer a salvação que Jesus Cristo oferece".


Assim falou o saudoso evangelista e pastor N. A. Fanini. Que colocação bela em relação à missão da igreja: “COMPARTILHAR”, não ganhar, arrebatar, resgatar, conquistar, mas simplesmente “compartilhar a salvação que Jesus OFERECE”

Precisamos rever nossos jargões missionários POIS A SALVAÇÃO DEVE SER UM OFERECIMENTO!!! Não uma imposição.


Jonathan

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Saravá Fraterno... A teologia no MEC, e agora?

Tanto fizemos que cá estamos. Teologia agora é ciência, ao menos cá estamos no MEC. Não só nós, os cristãos, mas todos os teólogos. Isso mesmo, as religiões afro-brasileiras e kardecistas se juntaram à brecha do sol para que juntos estejamos no MEC, a teologia como ciência.

A curiosidade me fez busca-los, achei apenas a FTU (Faculdade de Teologia Umbandista), um bom discurso de analisar não apenas sua vertente ontológica, mas permitir a leitura das outras religiões - deve-se notar as ações e não os discursos. Aqui posto os vídeos de apresentação sobre a teologia umbandista e seus profissionais.

Parecem que eles se aceitam melhor como ciência no MEC que nós. Ainda nos escondemos por detrás dos púlpitos enquanto os outros teólogos estudam, depois correremos atrás? Talvez seja tarde demais, aí recorreremos à velhas artimanhas medievais de paganização e demonização dos que não rezam em nossas cartilhas.

Portanto, abram-se teólogos, estudem pastores, reflitam cristãos e finalmente prepare-se MEC.


FTU - Campos de atuação do teólogo Umbandista




FTU - Currículo do curso de Teologia Umbandista




FTU - a formação do Teólogo Umbandista




FTU - A formação do teólogo Umbandista




PS. Até quando verei colegas choramingando saudosos de seus ritos cúlticos enquanto nos defrontamos com a realidade da teologia reflexiva do método histórico-crítico emando da pós-modernidade que clama em nossos portões?

Thiago Barbosa

BATISTAS, ser ou não ser?

O fato de ser membro de uma denominação protestante por vezes nos inflexiona ao pensamento crítico e analises pessoal de nossas ações frente a uma comunidade macro (aqui não me prendo à relevância dos pensamentos congregacionais apenas ao interior das igrejas, mas penso nessa relevância principalmente fora da Eclésia). Talvez seja esse o fato que ainda me faz assumir a denominação Batista.

Aqui posto vídeos de um diálogo com Pr. Israel Belo de Azevedo, onde são colocados pontos históricos que são imprescindíveis para um diálogo no intuito de responder se ainda é válido ser Batista no Brasil.

Poucos conhecem sua própria história e principalmente as ideologias que regem, e julgo ser necessário reger não apenas os Batistas mas o indivíduo de uma forma generalizada. Outro ponto interessantíssimo para a continuidade do diálogo após assistir aos vídeos é a leitura dos PRINCÍPIOS BATISTAS (cuidado para não confundir com "doutrinas batistas").










O simples fato de ainda podermos discutir sobre ser ou não é de uma beleza escusa aos nossos dias.

Thiago Barbosa

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Tristemunhos - As trágicas comédias dos púlpitos.

Devo dizer que após idealizar este canal de comunicação me tornei um pesquisador assíduo de blogs. É incrível como fuçando na rede mundial podemos encontrar verdadeiras pérolas, principalmente sobre os temas de estudos abordados em "religiosidade", "divindade" e "instituições religiosas" de uma forma geral. Aqui posto uma dessas curiosidades, seria cômico caso fossemos obtusos à tragédia que emana disto.


No endereço "http://blogs.gospelmais.com.br/papodeteologo/", vemos o "diário do pastor Josuévaldo Ramalho. Divirta-se e após as gargalhadas (inevitáveis ao imaginar a cena) reflita que essa tem sido uma constante nas igrejas sob a nomenclatura famigerada de "testemunho". Verdadeiros "tristemunhos" não é mesmo? Mas sob o discurso "revelacional" que ronda nossos púlpitos tornam-se a prova da ação divina, como se Deus se "metesse" com contraventores.


diario1

*personagem fictício


Thiago Barbosa

terça-feira, 22 de setembro de 2009

FÉ X RAZÃO - Uma emanação da preguiça

Novamente discutimos. É assim que passamos nossas manhãs aqui na colina, os afoitos candidatos a teólogos do segundo período – os poucos que ainda encaram a multidão de sacerdotes intra-classe – põem-se a discutir, discorrer, remoer, repensar e refletir quanto aos infindáveis assuntos que emanam da centenária colina. Hoje o assunto foi a fé e a relação desta com a razão.

Assumo, são duas palavras que, sob um olhar inocente, são correlatas e de uma complacência construtiva. Diz-se uma fé “racionalizada”, porém, os conceitos de fé e razão – na construção do termo “iconoclasticamente europeu” – apresentaria ulcerações ao ver-se atrelada ao termo fé. Que o os libertários franceses e filósofos românticos nos digam a verdade.

Até agora, nesses primeiros meses de caminhada e paixão no universo teológico, gosto de pensar em fé como o “salto” de Sören Kierkegaard, e nesse contexto fé e razão não se casam, não andam juntas, mas se completam. O início de uma se dá ao findar-se as expectativas da outra. Confesso e tenho dito, ao findar-se a razão dá-se a fé – não na forma conjunta - mas de forma complementar. Agora resta o questionamento, quando começa a fé? Afinal, o fim da razão pode ser apenas preguiça do “racionalizador”.

Agora se irritem, mas é possível que a fé emane da preguiça dos pensadores. É a fé unidade mensurável em sim mesma? Só se mede a fé olhando o tamanho do rigor crítico racionalista, de forma que o tamanho da fé é inversamente proporcional ao rigor da razão racionalizada. Talvez isso explique a dificuldade de se observar a fé nos grandes centros acadêmicos (como se academia fosse sinônimo de "local de pensadores").


PS. Antes que me digam que a em alguns aspectos da razão apresenta-se fé para um resultado final, lembrem-se, aqui abordo-se a legítima razão – aquela utopicamente neutralizada e insólita – mas a razão como utopia é intrínseca e inerente aos seus “racionalizadores”. Portanto não confundam a caracterização inerente à razão com as características “tendenciosas” dos “racionalizadores”. Os aspectos de fé aqui intuídos são inerentes à total entrega, sem alicerces possíveis ou imagináveis para o desenvolvimento de uma elucubração epistemológica (fé e epistemologia?).


Será esse o pensamento do Anticristo Nitzscheano?


Agora resta diferenciar a fé e a esperança, mas ainda oro por uma fé pequena, porém, real e construtiva, reconfortante e transcendental. Comparada a um grão de mostarda talvez?

Thiago Barbosa

sábado, 19 de setembro de 2009

Engatinhando na brincadeira de exegese II

“Alguns textos bíblicos são carne humana embrulhada para presente”.

É sob essa perspectiva que me aproximo cautelosamente dos textos apresentados no Gênesis atemporal.

Respeito, veneração, revitalização, novas perspectivas, medo, anseio, iconoclastia e ideologia são algumas das inúmeras afirmações que podemos tecer correlacionando nossas próprias perspectivas quanto ao texto bíblico. São os mesmos sentimentos que me acometem nesses dias de preparação para o que desejo que seja o início de uma realidade de escritor teológico. São três os assuntos – dois associados ao Gênesis e um associado aos sinóticos – de forma que o sono é quase que ausente, as fermentações neuroniais me impedem de conhecer o marasmo do ócio cognitivo, uma latência proposital junto às associações ósseas da região frontal-temporal-parietal martelam de forma ininterrupta. Mas há em mim o sonho de que possa me encontrar e encontrar uma verdade minha nessas produções literárias teológicas-científicas, ao menos de forma temporária – afinal a ciência é um construir desconstruindo, sendo certo em um dia e errado em outro – se há certo na pós-modernidada (não é Jonathan?).

Mas ao terminar essas elucubrações resistirá em mim o Deus pessoal, real e relacional, pois o teológicamente construído pela carne humana, ah, esse deus será criticado. Aí sim veremos se sobreviverá o deus-humanamente concebido, envolto em seu papel florido de presentes.

Nesses escritos lidarei com o “deus” atrelado à tradição sacerdotal do antigo Israel, dos dispersos pela terra, dos cativos e menosprezados que agora, após seu período de menosprezo social, perdem sua síndrome de perseguidos e se impõem manipulando o discurso de YHWH.

Thiago Barbosa

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nós agimos assim em todos os lugares!

Talvez grande parte dos cristãos evangélicos brasileiros, não consegue coabitar com o pensamento moderno/pós-moderno, programas seculares, sem que manifestem sua defesa em favor de sua ideologia. Comprovei este fato mais uma vez, além das muitas vezes em outras ocasiões, numa aula de Filosofia da educação na UERJ. Esta postura defensiva/apologética insurge-se contra argumentos que analisam a origem das coisas reais, bem como a noção de verdade e a crítica das construções míticas.

Não há outra forma de pensar a não ser a partir do dogma! Parece ser impossível! Não há como existir outra explicação, mesmo que essa coloque contra parede, afirmações de fundo ontológico e epistemologicamente questionáveis. Se não reza “como está escrito”, nem preciso ouvir! Assim se levanta a voz da “coluna e firmeza da verdade”. Se temos a verdade, porque nos ofendemos? Se nossa verdade é inabalável porque temos que defendê-la? Não subsiste por si mesma?

A critica moderna questionou, questionou e até agora não obteve respostas razoáveis de nenhum de nós. Negociamos (Bulltimam e companhia), mais ainda não respondemos sobre a origem de todas as coisas, pois não podemos afirmar aquilo que não se baseia na história - não diante do mundo adulto. Ele não acredita mais em fábulas nem mitos.
Penso que não adianta mais pular e espernear e tentar convencer os outros de que Gêneses 1 é a formulação objetiva do existir. “Bons protestantes” sabem que não! O que nos resta a fazer é, de alguma forma, buscarmos amadurecimento, de nossa mente, de nosso pensar, de nosso agir, de nosso ser.


Jonathan

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Falácias ditas para enganar - Sobre bois e boiadeiros

Principiando este “post” abordo um texto ímpar do também impar Israel Belo de Azevedo. O texto trata de “falácias ditas para enganar”, este é o título e o assunto abordado, as inverdades ditas aos “candidatos a ministros” que ganham força e corpo simbólico de um deus raquítico e maltrapilho, mas apresentado por “antigos ministros” com força titânica dos três “sacro-onis” (onipresença, onipotência e onisciência).

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O ponto que comento aqui é o exposto como sendo a FALÁCIA I – NO MINISTÉRIO, TEOLOGIA NÃO É FUNDAMENTAL.

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Israel utiliza-se de apontamentos dignos de um psiquiatra legitimamente freudiano para descrever o que rege tal fala.

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“Tenho visto, que, em muitas circunstâncias aqueles que vociferam contra o valor do estudo bem cuidado da teologia são os mesmos que se orgulhar de sua erudição e sua biblioteca. Talvez tenham medo”.

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“Não sigamos os seus conselhos desonestos. Fiquemos com o apóstolo Paulo que, para onde ia carregava sua biblioteca, ele que vira a Jesus e se encontrara com o Pai no último dos céus”.

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“Coloquemos no serviço o saber que granjeamos. Não o usemos para nós mesmos, mas para os outros. Seja o nosso argumento o argumento do diálogo entre parceiros e não o de uma pretensa autoridade pastoral, que se volatilizará quando o outro lhe der as costas. Só permanecerá o argumento brotado da informação ampla sobre o assunto do debate, exposto com o bisturi da razão e mediado com a clareza da honestidade. O outro será apenas um tributo à ignorância”.

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Se existe uma ponta de verdade no apontamento profético de Zé Ramalho é que tentaram calar a massa que somos nós. Mas existem os subversivos, os rebeldes, os livres; aqueles que se indispõem com a massa que se torna a Eclésia. Agora as ovelhas são gados, mas o problema é a luta entre o gado que se tornou selvagem ao conhecer a liberdade e os boiadeiros que teimam em obscurecer a visão “idealista” do gado selvagem.

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Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber...

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E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer...

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Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado
Êh!
Povo feliz!...

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Ainda nos resta conclamar o gado selvagem a vestir a camisa do idealismo, afinal, a morte chegará, portanto, que a morte chegue por algo que realmente vale a pena, a sinceridade pessoal do idealismo vivido até a última gota. E se no fim ainda formos gado, que sejamos selvagens bisões que desconhecem sua própria força, mas que ao visualizar a amplitude dos horizontes das pradarias não há força humana que detenha a manada.

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Thiago Barbosa

domingo, 13 de setembro de 2009

COMPUTO E COGITO - relação "intra-inter-blogger"

http://peroratio.blogspot.com/2009/09/2009468-das-tres-teologias-e-de-uma.html?showComment=1252863401727#comment-c9101009917072018496


Acima encontra-se o link direcionador para o post que originou essa interação "inter-intra blogs".
As vantagem quase mítica das relações virtuais é a rapidez e eficácia das interações sócio-cognitivas. Esperamos juntos com todos os leitores, seguidores e internautas que seguimos e lemos conseguir pensar, simplesmente pensar, se é que isso pode se dar de forma simples.

Agradecemos ao Osvlado que sempre responde nossos questinamentos e eventualmente disperta questões abordadas nesse e em outros blogs. Finalmente um instrumento social e sociável, utopicamente igualitário pela dispersão dos questionamentos e conhecimentos, a libertação do computo e cogito.



(2009/469) Beber do frasco até o fim


1. Em resposta ao post anterior, o pessoal do blog Cristianismo Livre deixou o seguinte comentário:

Sobre a teologia fenomenológica no ambito da pessoalidade intimista do cristão fica a pergunta: a teologia fenomenológica, ao ser degustada, traz a tona sabores como solidão, vazio, desolação e sensações de liberdade e sinceridade para consigo mesmo. Estes sabores são característicos de antídotos ou venenos? Ps. Qualquer que seja a resposta, a verdade é unidirecional, o frasco que a contém (teologia fenomenológica), se levado à boca deve ser ingerido por completo, integralmente. Caso interrompa o processo antes do fim já sabemos que não é teologia fenomenológica.

2. Pretendia responder lá mesmo, na seção "comentários". Mas o comentário é por demais provocador, e provoca questões importantes demais para ficar reservado ao nicho virtual dos comentários, que, a despeito de importantes, não são tão lidos quanto as postagens em si - e deviam.

3. O que significará beber o frasco até o fim, sendo esse frasco a "teologia fenomenológica"?

3.1 Em primeiro lugar, a consciência de quem bebeu dessa teologia jamais retornará ao mundo do fideísmo voluntarista doutrinário/dogmático. Não é mais possível, para o teólogo fenomenológico, "brincar" de levar doutrina a sério, em sentido ontológico, como se Nicéia dissesse algo de "real" sobre uma realidade tão real quanto a que se pretende. Nicéia é tão-somente construto humano, político, religioso - e só.

3.2 Por outro lado, é absolutamente falso concluir que a teologia fenomenológica desemboca no ateísmo. Nada mais falso. A foz dessa teologia é o mar do ceticismo. O ceticismo que, em si mesmo, é tão racional quanto místico. Racional, porque é fruto de um tipo de pergunta sobre o mundo e a vida, pergunta feita a partir da descoberta do discurso metafísico, de que se dá conta, a pergunta, de que só se pode falar de metafísica tendo-se acesso ao mundo metafísico, de modo que os discursos metafísicos são meros mitos, eventualmente fundamentados em política de revelação. Místico, porque há uma batalha na consciência humana entre a impossibilidade de dizer o além (dizê-lo é "teístico") e o "pressentimento" hermenêutico dele (desdizê-lo é "ateístico")...

4. Mas alto lá: o ateísmo é metafísica! O ateísmo é fé. Teísmo e ateísmo são racionalizações sobre a vida: ambos explicam tudo por meio, respectivamente, da ação de um Deus exsitente e da ausência de um Deus para agir. O que ambos têm em comum é que não têm como afirmar seus respectivos conteúdos, senão... pela fé - que é por meio do qu afirmam o que afirmam, isto é, porque acreditam em suas "doutrinas". A despeito do fundamentalismo teísta e do fundamentalismo ateísta, ambos são... hipóteses especulativas, inverificáveis, que se auto-justificam no interior de seu próprio mundo racionalizado.

5. Sabendo disso, a teologia fenomenológioca não pode decidir-se, salvo se desejar aderir à fé, e retornar ao problema anterior do sim e do do não com base em fideísmo voluntarista não-racional, mas racionalizado. Só cabe à teologia como fenomenologia inferir que, se todos os povos, todas as culturas, todos os tempos, sociedades, mundos, conceberam o "sagrado", isso (só) pode significar a existência de uma dimensão da experiência humana que se abre para a especulação mística e mítica do "além". A questão do sagrado não é um invenção - é uma interpretação de fenômenos antropológicos profundos. As dourinas encontram aí seu fundamentos, mas subvertem-no, transformando-se a si mesmas em fundamento. O "sagrado" da doutrina é mito, a "experiência do sagrado", não.

6. Assim, a telogia fenomenológica não inviabiliza a mística, desde que essa mística se desdobre na dimensão da dúvida, da incerteza, da consciência do mito. Ao passo que a estrutura da consciência humana faculta a emergência da experiência do sagrado (Eliade, Morin), os discursos humanos, religiosos, doutrinários, teológicos, desdobrados a partir de tais experiências, são, todos, culturais. A "sede" é bio-antropolótica, a "água", histórico-cultural. Desconhecer isso implica na manutenção da experiência, mas alienada da consiência de mito.

7. Entrevejo, na História, um período em que a experiência do sagrado (experiência de consciência, sem conteúdo) desdobrava-se em experiências estéticas. A certa altura, a política descobriu o poder manipulador de tais construtos estéticos - mais cedo ou mais tarde esse dia chegaria, não é uma questão que pode ser evitada. Milênios depois desse dia "político", o surgimento, no Ocidente, de um modeo crítico-explicativo para o "mundo dos homens" - Ciências Humanas" - fornece as ferramentas críticas e heurísticas para a suspensão do uso político da experiência do sagrado, ao preço da conscientização humana do caráter inexoravelmente imaginativo dos conteúdos inventados pela experiência humana do sagrado. Uma iconoclastia cosmogônica!

8. A própria resistência da cultura religiosa e teológica (mesmo as "sofisticadas!) à constatação do que me parece óbvio é uma ação política - neutralizar a crítica. Na Idade Média, o regime era a defesa da verdade absoluta, controlado pela tortura e pela execução do criminoso. Hoje, nos ambientes mais intelectualizados, apela-se para a "pós-modernidade", que tem o mesmo padrão medieval, quando esforça-se pela dissolução da crítica (naturalmente que nos ambientes fundamentalistas, opera-se, ainda, medievalmente, sndo que o controle da violência física, latente, dá-se por meio da legislação e da polícia, conquanto impere, aí, a volência simbólica como culto a Deus, ainda tolerada pelo Estado).

9. Nesse sentido, as gestões engajadas de pacificação da religião são inúteis - t0das. Se o homem não se deixa convencer do caráter mítico de sua fé, permanece refém de estruturas noológicas e políticas a que, mais cedo ou mais tarde, se entrega, privando-se de sua consciência e autonomia. Ainda que pareça uma posição radical, e talvez seja, julgo que apenas a crítica das ideologias - incluída aí, principalmente, a crítica dos mitos religiosos (= doutrinas) constitui a operação necessáriapara para a superação da era política da experiência do sagrado (se uma tal utopia for historicamente possível) A crítica heurística da religião pode salvá-la de sua maior marca: a violência. Nem emsmo um "ecumenismo" vertical - viva tdos os deuses! - logrará êxito, porque, eventualmente, viveu-se nele um dia - as implicações são graves...).

10. Um discurso estético, conscientemente mítico, absolutamente pessoal, aberto à fraternidade, à paz - esse me parece o lugar para onde uma teologia crítica e heurística, fenomenológica, pode encainhar o homem e a mulher religiosos. Dois mil anos de discurso "ético" sobre Deus - mantida a sua condição ontlógica - não garatiram, nem jpoderiam, salvação alguma, porque enquanto "Deus" puder ser instrumentalizado, enquanto for discurso "útil", sempre haverá projetos políticos para ele legitimar. One Deus for Deus, o homem sempre será gado. E o problema, meus amigos, são justamnte os boiadeiros...


Cristianismo Livre e Peroratio


Thiago Barbosa