A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

JESUS SOB PRESSÃO

Uma inquietação oriunda do sucesso de Deus, um delírio; de Richard Dawkins. Assim se apresentou o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (2006).

Ainda Vale a pena uma olhadela...















Thiago Barbosa

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rauzito: evidenciando o evangelho de Judas Iscariotes?

O trecho-chave do documento é atribuído a Jesus, dizendo a Judas: "Tu vais ultrapassar todos. Tu sacrificarás o homem que me revestiu". Segundo o pensamento gnóstico, esta frase significaria que com a delação Judas estaria contribuindo para que Jesus Cristo pudesse libertar o seu espírito, livrando-se de seu invólucro carnal, o corpo.

"Essa descoberta espectacular de um texto antigo, não-bíblico, considerada por alguns especialistas como um dos mais importantes jamais descobertos nos últimos 60 anos, estende nosso conhecimento da história e das diferentes opiniões teológicas do início da era cristã", esclarece Terry Garcia, um dos responsáveis da revista estado-unidense National Geographic. Presume-se que o original, provavelmente escrito em grego, seja datado do início do século II.

A existência do Evangelho de Judas havia sido atestada pelo primeiro bispo de Lyon, São Irineu, que o denunciou em um texto contra as heresias na metade do século II. O bispo teria explicado neste documento que, segundo a sua opinião, nos tempos dos apóstolos aconteceram diversas tentativas de se espalhar o erro e perturbar a união dos cristãos, e que alguns faziam-se passar por convertidos, exclusivamente para disseminar doutrinas contrárias a da Fé Apostólica.

Irineu também comentou a existência de uma seita gnóstica chamada de Cainitas, cuja crença era baseada no princípio que o mundo material é imperfeito, tendo sido criado não por um Deus Supremo e sim por uma inteligência criadora inferior a este. Além de Irineu, Epifânio, bispo de Salamina, também argumentou sobre a existência desse manuscrito no ano de 375 dc.

Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton e uma das grandes especialistas mundiais sobre os Evangelhos gnósticos, considera que "a descoberta surpreendente do Evangelho de Judas, bem como daqueles de Maria Madalena e de diversos outros documentos dissimulados durante quase 2000 anos, modifica nossa compreensão dos primórdios do cristianismo. Essas descobertas erradicam o mito de uma religião monolítica e mostram o quanto o movimento cristão era realmente diversificado e fascinante no seu início".





Thiago Barbosa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Daniel Dannett e os pensamentos infecciosos

Começando com o simples caso de uma formiguinha, o filósofo Dan Dennett desencadeia um devastador bombardeio de ideias, construindo uma argumentação decisiva a favor da existência dos memes: conceitos que são literalmente vivos.




Thiago Barbosa

Daniel Dannet e a nossa consciência




Thiago Barbosa

Steven Pinker e o mito da violência

Steven Pinker mapeia o declínio da violência desde os tempos bíblicos até os nossos dias, e argumenta que, apesar de parecer ilógico e até obsceno (dado o que acontece no Iraq e em Darfur), estamos vivendo a época mais pacífica da existência de nossa espécie.




Thiago Barbosa

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Entre Rick Warren e Daniel Dannet

O pastor Rick Warren é fundador da Saddle Back Church na Califórnia e autor do best-seller Uma Vida com Propósitos, que pré-vendeu 500 mil cópias antes de ser lançado.

Em razão do sucesso do livro, Rick Warren abriu mão de ganhar salário da igreja.






Daniel Clement Dennett (Boston, 28 de março de 1942) é um proeminente filósofo estadunidense.

As pesquisas de Dennet se prendem principalmente à filosofia da mente (relacionada à ciência cognitiva) e da biologia. Dennett é ainda um dos mais proeminentes ateus da actualidade.

Para Dennett, os estados interiores de consciência não existem. Em outras palavras, aquilo que ele chama de "teatro cartesiano", isto é, um local no cérebro onde se processaria a consciência, não existe, pois admitir isto seria concordar com uma noção de intencionalidade intrínseca. Para ele a consciência não se dá em uma área especifica do cérebro, como já dito, mas em uma sequência de inputs e outputs que formam uma cadeia por onde a informação se move.

Um dos livros de Dennett é A Ideia Perigosa de Darwin.





Thiago Barbosa

Dawkins e o ateísmo militante

obs... Acione as legendas no rodapé da tela.






Thiago Barbosa

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um papo com Adélia Prado




Thiago Barbosa

Um papo com Leonardo Boff




Thiago Barbosa

NOVAS HERMENÊUTICAS: O CRISTIANISMO SE TORNANDO ETERNO

A cultura não é uma grandeza estanque. Nela estão revelados todos os valores que regem e direcionam uma comunidade. Sendo assim, as variações existentes dentro de um grupo social serão, necessariamente, refletidas nos princípios e valores adotados e apregoados em uma cultura especifica.

O cristianismo primitivo, ainda nos idos do século I d.C, mostrou-se pronto em se “inculturar”, mostrando a universalidade da ação de Deus encarnado em Jesus. A promessa especificamente feita aos judeus transborda as barreiras étnicas e geopolíticas alcançando agora também os gentios. Nesse aspecto, Paulo de Tarso foi brilhante, um exímio leitor de sua sociedade e re-interpretador das verdades cristológicas. O mundo deve isto a uma hermenêutica paulina, pronta em verificar as especificidades de um povo e apresentar um evangelho condizente com tais culturas.

Essa hermenêutica paulina, que alcança boa parte da Ásia Menor - uma área incrivelmente extensa mesmo para os dias atuais - era acolhida por estas culturas, pois condizia enormemente com sua realidade. O evangelho era, e ainda é, uma grandeza que vai de encontro às necessidades mais profundas do ser humano. A Bíblia, como palavra de Deus, de igual modo deve ir de encontro às necessidades mais profundas das pessoas. Assim, ela não pode apenas mostrar-se presa a uma realidade histórica estagnada à sociedade que a escreveu, porém deve renovar-se a cada dia com a interpretação dinâmica e pró-ativa daqueles que se dispõe a assumi-la como palavra de Deus. As necessidades humanas das culturas modificam-se em suas especificidades, contudo os princípios formadores dessas necessidades, desses anseios, continuam os mesmos, No Crescente Fértil da Palestina, nas cidades da Ásia Menor, o existencialismo europeu moderno, o fundamentalismo econômico e religioso da América do Norte, ou ainda as dores da opressão da América Latina. Todos, em seus princípios formadores, encontram-se exemplificados nas linhas do texto bíblico. Lá se arvoram as descrições de um povo que conheceu a guerra, o exílio, as tormentas climáticas, os desmandos econômicos, a distorção da justiça, a iniqüidade e desesperança mais profundas; todavia, lá também se encontra a relação proximal com Deus, bem como sua encarnação na própria humanidade corrompida por intermédio de Jesus Cristo. No fim da desesperança que fundamenta o desenvolvimento de uma cultura há o surgimento da esperança. Uma luz no fim do túnel.

Na clara definição de que Deus se manifesta de maneira holística junto a cultura dos homens, devemos estar prontos para re-interpretar, re-analisar, re-visitar os dizeres dos textos bíblicos e estarmos prontos para torná-los palavras de vida, que superam a temporalidade dos quase dois milênios que nos distanciam do evento cristológico. Aqui, no século XXI, a Bíblia ainda fala, com a mesma força e profundidade que falava aos judeus que a produziram, porém atingindo as especificidades de nossos tempos, de nossa cultura.

Deste modo é urgente que nos preocupemos com as interpretações que surgem já desde o século XX. A interpretação da cultura por Paul Tillich, por exemplo, deve ser de constante consulta, pois o cristianismo deve sim condizer com as mudanças características e específicas dos nossos dias, de igual modo a morte prematura de Dietrich Bonhoeffer impediu-nos de compreender melhor seu “cristianismo arreligioso” de um mundo que se tornou adulto. A teologia da esperança em Moltmann e Rubem Alves que culmina anos depois na teologia da Liberação em Gustavo Gutierrez e os “irmãos Boff”, desdobrando-se nas difusas formas de libertação de grupos minoritários que são oprimidas por uma sociedade culturalmente estabelecida. Nasce da Teologia da Libertação a teologia Negra, a teologia Feminista, a teologia Indígena, a teologia de Movimentos Campesinos, ou mesmo teologia Operária. Mais recentemente as urgências do repensar sobre o meio ambiente emolduram a teologia ecológica, exemplificada por Leonardo Boff e Haroldo Reimer.

Há também a controversa - e que infelizmente (a meu ver) torna-se comum não só no Brasil, mas no mundo - que é a teologia da prosperidade, onde a força do capitalismo ganha espaço em contraposição à conduta de cooperação e respeito que é condizente com o pensamento fundamental cristão. É a força econômica do capitalismo que ocasiona variantes no processo de interpretação para que a finalidade do indivíduo se sobreponha à necessidade da coletividade.

Percebendo as necessidades de um mundo moderno e a gigantesca possibilidade de interpretações para as complexidades modernas que surgem no texto bíblico observam-se que temas como desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, racismo, ações transculturais, bullying, direitos das mulheres (lei Maria da Penha), Estatuto da Criança e do Adolescente, violência, justiça e suas distorções, guerra, crimes de guerra, política e posturas partidárias; todas estes e outros que eventualmente surjam tornam-se assuntos condizentes com os textos bíblicos e, portanto, assunto de abordagem para novas hermenêuticas.

Desse modo, trabalhar com educação nas comunidades de fé passa a ser uma caminhada feita a pequenos passos, cuidadosamente, sem ativismos e modelos pré-estabelecidos, pois, nesses moldes, observa-se a necessidade de reinterpretar e reviver a fé cristã e seus princípios fundamentais, dia após dia, passo a passo, até o dia em que Ele virá. Maranata, ora vem Senhor Jesus!



Thiago Barbosa

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Diálogo Inter-religioso como MISSIO DEI “atemporal”

Ao pensar em movimento missionário, missão, ou mesmo cristianismo – que se mostra nesse século XXI como um hiperônimo de um caleidoscópio de hipônimos que emergem desse termo tão abrangente e diversificado – notamos certa indisposição ou reticência, mesmo entre os seguidores da mesma fé e/ou denominação, sobre as formas e formatos das ações desenvolvidas nas igrejas. Estas estruturas ou modelos de se fazer missão se apresentam aos montes, cada qual ressaltando suas virtudes ou posturas, dificilmente constatando e assumindo suas falhas e debilidades. Tal posicionamento propicia o questionamento sobre como se apresenta um movimento missionário que se sustenta junto ao paradigma do mundo moderno globalizado de forma eficaz.

Observa-se que as posturas da missão[1] por vezes se assumem, em certos aspectos, hostis a outras culturas e/ou povos. Quase que detentora do conhecimento da plena verdade – no aspecto positivista – onde não se valoriza ou busca compreender a postura e posicionamento do outro ser humano. Críticas severas são feitas à missão cristã, ela seria uma forma de “intolerância, de arrogância e de violência” [2]. O que pode se assemelhar a uma postura arrogante do agente da missão se tornaria verdadeiramente egoísmo caso não houvesse a ação da missão. Como efetivamente realizarmos missão sem a postura arrogante que é costumeiramente associada a essa ação?

A valorização bíblica da missão – aqui sim como MISSIO DEI – transcorre todo o texto bíblico, e não apenas o trecho neotestamentário. A idéia de “Nação Santa”, ou ainda “Povo escolhido” são terminologias que apontam ao menos para olhares desatentos, aos valores também egocêntricos. Possivelmente essa tendência tenha sido fomentada pela postura Judia em relação às outras nações. A palavra dita a Abraão em Gn 12:1-3 foi “internacional e universal em seu oferecimento, escopo e propósito” [3]. Sendo assim, uma visão mais respeitosa quanto aos sujeitos da missão por parte dos agentes da missão seria o mínimo a se esperar, e nunca uma postura arrogante e egocêntrica de “conhecedores e detentores da verdade salvífica”, que comumente é notada no trato missionário com as culturas.

Observando a mudança no paradigma da missão, David J Bosch observa que, a missão deve responder a problemas nunca antes imaginados, de forma concernente com a essência da fé cristã. Assim: a) o ocidente perde sua hegemonia sobre o planeta; b) há a contestação de estruturas injustas de opressão e exploração; c) há a consciência de que pessoas e meio ambiente são interdependentes; d) os progressos, o desenvolvimento, assumem papéis de divindade; e) temos a possibilidade, por nossa inconsciência ambiental de exterminar a raça humana; f) as teologias cristãs já não podem alegar superioridade sobre as outras teologias que emergem sobre o mundo. Defrontados por uma mudança tão radical nos paradigmas globais podemos afirmar que grande parte de nossas missões estão ainda alicerçadas no medievalismo, enquanto o mundo caminha a passos largos, tendo como força motriz tais diretrizes.[4] Em um mundo onde o cristianismo já não é força hegemônica - e que assume a importância da diversidade comunicativa entre paradigmas diferentes - como se deve viabilizar a MISSIO DEI nesse século de mudanças tão profundas?

Pensar em um movimento uniforme para abordar esses novos paradigmas seria utópico e até ingênuo. Afinal, sérias divergências foram observadas nas Reuniões do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) no que concerne à missão e diálogo. Entre essas relações conflituosas destacam-se “os conflitos entre Norte-Sul, o conflito entre evangelicais e ecumênicos e aquele entre igrejas Ortodoxas e o CMI” [5].

A urgência do diálogo inter-religioso se dá no âmbito de a teologia cristã de missão rever seus valores e preceitos de forma a abordar e, eventualmente, posicionar-se respondendo as questões existenciais mais profundas que emergem do novo paradigma epistemológico do século XXI. Percebendo nas culturas e pessoas não cristãs a manifestação de um Deus universal e, por que não, plural. Dificuldades são encontradas quando percebemos posicionamentos mais enrijecidos de pessoas que não estão dispostas a dialogar para estabelecer um caminho de convivência com as outras pessoas, agora, despidos da arrogância e egocentrismo dos cristãos “historicamente conhecidos” [6], há de se estabelecer novos tempos para a MISSIO DEI no mundo.

“Missão e diálogo, respectivamente testemunho, desenvolvimento de diálogo com pessoas de outras religiões doravante são considerados no CMI como características inseparáveis, porém distintas da transmissão cristã da fé” [7]. Cria-se aqui uma dicotomia no discurso evangelical; tais pensadores da missão evangelical se propõem a assumir a importância do dialogo religioso, sem, contudo, modificar sua postura de fazer missão. Uma incoerência discursiva que denuncia uma negligência na reinterpretação das necessidades do movimento missionário e da missão em si. A missão feita nesses moldes denuncia-se como conquistadora, opressiva, coercitiva, e jamais libertadora e salvífica como enunciada nos padrões da MISSIO DEI, corroborando com John Stott e Walter Kaiser Jr (cf. notas 2 e 3).

Por diálogo inter-religioso entende-se “conversação preparada entre pessoas de diferentes religiões a respeito de temas previamente combinados[8]. Destacando-se o “diálogo da vida”, como a convivência entre os diferentes; “diálogo ético”, como postura conjunta perante problemas universais; e “diálogo sobre diálogo”, como a discussão sobre o diálogo inter-religioso nas comunidades de fé.

A postura inicial para o diálogo religiosos é a resposta para a arrogância que ronda as ações missionárias. “Cristãos podem iniciar o diálogo, podem fomentá-lo ou até mesmo acatar a iniciativa de outros. De forma alguma, porém, cristãos deveriam tentar determinar diálogo, para que este permaneça genuíno[9]. A postura receptiva e humilde, contrastante com a arrogância e prepotência inicial são condições sine qua non para o desenvolvimento da missão como MISSIO DEI.

Vemos assim no discurso apologético da missão protestante, principalmente no âmbito brasileiro, uma semelhança gritante com o discurso da igreja ortodoxa. O dialogo inter-religioso é vilipendiado, como se fosse totalmente alheio ao pensamento e estruturação das ações missionárias. O testemunho cristão (apologética) é vista e apresentada como martírio da igreja frente ao restante do mundo.

“O que devemos àqueles que têm outra fé exige de nós com urgência ainda maior que nos portemos como os antigos apologetas cristãos, confirmando a verdade, seja ela qual for, ressaltando, porém, ao mesmo tempo, a abundância e autenticidade da verdade salvífica cristã, mesmo que com isto nos exponhamos ao risco da perseguição” [10].

Ao vencermos este posicionamento dogmático da salvação do homem, verteremos para os apontamentos da CMI em Nairóbi, 1975. “(...) cremos que em nenhuma geração Deus deixou de se testemunhar. Tampouco podemos excluir a possibilidade de que Deus fale aos cristãos a partir de fora da igreja” [11]. Imbuídos desse pensamento perceberemos a urgência de rever os paradigmas e dogmas que perfazem a ação missionária em nossas instituições/organizações/igrejas, de modo tal que “nunca deveríamos condenar ou desprezar outra cultura, mas, ao invés disso, respeitá-la” [12].

“O verdadeiro cristianismo da Bíblia não é uma religiãozinha escapista, egoísta, quentinha, aconchegante e segura. Pelo contrário, ela mexe profundamente com a nossa segurança e garantia. Ela é uma força explosiva e centrífuga, que nos arranca do nosso estreito egocentrismo e nos atira para o mundo de Deus, a fim de testemunhar e servir. Precisamos, pois, encontrar maneiras práticas, seja individualmente, seja através de nossas igrejas locais, para expressar esse comprometimento” [13].

Deste modo é possível que os conceitos a respeito da missão sejam revistos, que seus agentes não sejam mais comissários das instituições, mas sim, agentes de um reino onde a salvação é direcionada a todos. Finalmente a salvação irá ao mundo todo, não como imposição, mas como amizade e respeito. Deus será manifesto ao mundo, e não à dogmática cristã institucional. Diálogo é manifestação de Deus no mundo, a tempo e fora de tempo.



[1] Aqui se opta pelo uso do termo missão correlacionando conceito parâmetros que, mais especificamente, seriam próprios da missiologia ou movimento missionário. Assim, missão torna-se, no presente trabalho, um termo mais abrangente que engloba desde o “pensar em fazer missão”, a “forma de fazer missão” ou o “ato de fazer missão”.

[2] STOTT, John – Nosso Deus é um Deus missionário. Em: Ouça o espírito, ouça o mundo. São Paulo: ABU, 1998. P.359.

[3] KAISER JR, Walter. A chamada missionária de Israel. Em: WINTER, Ralph; HARWTHORNE, Seven. Missões transculturais: uma perspective bíblica. São Paulo: Mundo Cristão, 1987. P.28.

[4] BOSCH, David J. Mudanças de paradigma na missiologia. Em: Missão transformadora – mudanças de paradigma na teologia da missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002. P. 225-237.

[5] LINNEMAN – Perrin, Christine. Conselho Mundial de Igrejas. Em: Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: EST, Sinodal, CEBI, 2005. P.73.

[6] Referindo aos conhecidos casos de uso da ação missionário como forma de coerção e domínio no desenvolvimento imperialista da Europa e dos Estados Unidos junto aos povos da África e America Latina.

[7] LINNEMAN – Perrin, Christine. Conselho Mundial de Igrejas. Em: Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: EST, Sinodal, CEBI, 2005. P.74.

[8] LINNEMAN – Perrin, Christine. Conselho Mundial de Igrejas. Em: Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: EST, Sinodal, CEBI, 2005. P.79.

[9] LINNEMAN – Perrin, Christine. Conselho Mundial de Igrejas. Em: Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: EST, Sinodal, CEBI, 2005. P.81

[10] Declaração ortodoxa sobre missão promulgada em 1988 Neápolis/Grécia. Cf em: LINNEMAN – Perrin, Christine. Posição confessional: vozes da igreja ortodoxa. Em: Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: EST, Sinodal, CEBI, 2005. P.99.

[11] Cf. em: LINNEMAN – Perrin, Christine. Conselho Mundial de Igrejas. Em: Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: EST, Sinodal, CEBI, 2005. P.86.

[12] STOTT, John – Nosso Deus é um Deus missionário. Em: Ouça o espírito, ouça o mundo. São Paulo: ABU, 1998. P.361.

[13] STOTT, John – Nosso Deus é um Deus missionário. Em: Ouça o espírito, ouça o mundo. São Paulo: ABU, 1998. P.375.




Thiago Barbosa

sábado, 13 de novembro de 2010

Resumo e comentário: Introducción a los métodos de La exégesis bíblica (Joseph Schreiner)

A exegese dos escritos sagrados de Israel tem sua origem antes do Novo Testamento. Nos livros do Antigo Testamento já se encontram interpretações e explicações a respeito da palavra de Deus que havia sido registrada e eram promulgadas às pessoas, prova disso são as tradições, traduções e interpretações emanadas das escrituras, mesmo sem uso metodológico exegético.

Possivelmente o primeiro grande esforço exegético tenha sido a tradução da “LXX”. A septuaginta teve o desafio de acessar uma língua consonantal, com padrões de vocalização e idéias totalmente diferentes. Na verdade tentaram transportar toda uma cultura característica do Crescente Fértil, emoldurada com características peculiares nos aspectos sociológicos, econômicos, políticos, religiosos, traditivos e, de modo desafiador, expor essas realidades a uma cultura e civilização totalmente distinta. Oriundos desse esforço hercúleo para tornar acessível um texto caracteristicamente judeu para a sociedade helênica, e em contrapartida para os cristãos, podem notar distinções entre o processo interpretativo de ambas as realidades, tanto judaica como cristã. Para os judeus, a escritura em seu conteúdo e extensão total é a única norma para o pensamento teológico, palavra por palavra a aplicam a suas vidas através dos midrash. De modo distinto, a comunidade de cristãos primitivos acessam o Antigo Testamento se dá por intermédio do Espírito que permite de modo retrospectivo como referência à plenitude escatológica.

No período referente aos pais da igreja, o Canon do Antigo Testamento não era uma realidade fechada, desse modo houve a possibilidade de se inserir os textos que formam o Novo Testamento. Assim há a proposta de um acesso metodológico diferenciado da usual literalidade, o acesso alegórico é uma forma de transcender e interpretar as escrituras por intermédio da metáfora. Emanam agora dos textos verdades mais profundas e inatingíveis até então. Em Teodoro há o retorno da interpretação textual, no período que caminha para o fim do período dos pais da igreja retornamos a uma interpretação que caminha para um sentido ético. Vemos em Teodoreto de Ciro a intenção de transmitir as possibilidades de interpretação exegéticas possibilitadas até então. No ocidente aponta-se para um tríplice sentido na interpretação bíblica: 1)histórico; 2)místico; 3)ético.

Com o estudo da patrística chegamos à idade medieval. Torna-se possível elucidar a mensagem cristã mesmo no âmago de textos do Antigo testamento. Mesmo sem um ideal conhecimento das línguas originais formadoras do Canon, os estudiosos medievais caminharam de forma sustentada para uma interpretação literal consistente. A exegese do Antigo Testamento recebe um valoroso auxilio advindo do acesso à exegese judia.

No período que perfaz a Reforma vemos o surgimento do ideário conhecido como Sola Scriptura, ou seja, somente a escritura é parâmetro para a fé e a construção doutrinária eclesiástica. A investigação escriturística volta-se, definitivamente, para o acesso às línguas originais, bem como a formação do conceito de que o Novo Testamento é a chave interpretativa para o Antigo Testamento. A ortodoxia protestante aponta para a inspiração total do texto bíblico, tal qual sua inerrância, ambas de origem divina.

A idade moderna traz consigo o método histórico-crítico e uma racionalização profunda sobre os textos bíblicos, essencialmente o Pentateuco. A partir de Immanuel Kant percebemos o levante do rigor científico no que diz respeito à interpretação da bíblia. Para J. G. Herder o texto do Antigo Testamento ganha vida na experiência do leitor que, intuitivamente, penetra nele e permite que o texto alcance uma relevância teológica e comprometedora frente ao homem auto-suficiente. A partir daqui temos os diversos acessos metodológicos oriundo do hiperônimo “método histórico-crítico”, citando como exemplos Ewald e Wellhausen.

Aqui percebemos a saga de diversos pensadores e suas tentativas de acessarem a palavra de Deus. O texto ganha força e atualidade na vida das pessoas que buscam nele sentido de vida. os textos são defesas das piores horas. É forma de responder a vida. Agrega-se neles resistência e utopia frente às tragédias. São por tudo chaves da vida. Somente depois de um trabalho metodologicamente correto a Bíblia poderá pronunciar a palavra que tem que proclamar para cada época.


Thiago Barbosa