A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

JESUS SOB PRESSÃO

Uma inquietação oriunda do sucesso de Deus, um delírio; de Richard Dawkins. Assim se apresentou o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (2006).

Ainda Vale a pena uma olhadela...















Thiago Barbosa

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rauzito: evidenciando o evangelho de Judas Iscariotes?

O trecho-chave do documento é atribuído a Jesus, dizendo a Judas: "Tu vais ultrapassar todos. Tu sacrificarás o homem que me revestiu". Segundo o pensamento gnóstico, esta frase significaria que com a delação Judas estaria contribuindo para que Jesus Cristo pudesse libertar o seu espírito, livrando-se de seu invólucro carnal, o corpo.

"Essa descoberta espectacular de um texto antigo, não-bíblico, considerada por alguns especialistas como um dos mais importantes jamais descobertos nos últimos 60 anos, estende nosso conhecimento da história e das diferentes opiniões teológicas do início da era cristã", esclarece Terry Garcia, um dos responsáveis da revista estado-unidense National Geographic. Presume-se que o original, provavelmente escrito em grego, seja datado do início do século II.

A existência do Evangelho de Judas havia sido atestada pelo primeiro bispo de Lyon, São Irineu, que o denunciou em um texto contra as heresias na metade do século II. O bispo teria explicado neste documento que, segundo a sua opinião, nos tempos dos apóstolos aconteceram diversas tentativas de se espalhar o erro e perturbar a união dos cristãos, e que alguns faziam-se passar por convertidos, exclusivamente para disseminar doutrinas contrárias a da Fé Apostólica.

Irineu também comentou a existência de uma seita gnóstica chamada de Cainitas, cuja crença era baseada no princípio que o mundo material é imperfeito, tendo sido criado não por um Deus Supremo e sim por uma inteligência criadora inferior a este. Além de Irineu, Epifânio, bispo de Salamina, também argumentou sobre a existência desse manuscrito no ano de 375 dc.

Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton e uma das grandes especialistas mundiais sobre os Evangelhos gnósticos, considera que "a descoberta surpreendente do Evangelho de Judas, bem como daqueles de Maria Madalena e de diversos outros documentos dissimulados durante quase 2000 anos, modifica nossa compreensão dos primórdios do cristianismo. Essas descobertas erradicam o mito de uma religião monolítica e mostram o quanto o movimento cristão era realmente diversificado e fascinante no seu início".





Thiago Barbosa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Daniel Dannett e os pensamentos infecciosos

Começando com o simples caso de uma formiguinha, o filósofo Dan Dennett desencadeia um devastador bombardeio de ideias, construindo uma argumentação decisiva a favor da existência dos memes: conceitos que são literalmente vivos.




Thiago Barbosa

Daniel Dannet e a nossa consciência




Thiago Barbosa

Steven Pinker e o mito da violência

Steven Pinker mapeia o declínio da violência desde os tempos bíblicos até os nossos dias, e argumenta que, apesar de parecer ilógico e até obsceno (dado o que acontece no Iraq e em Darfur), estamos vivendo a época mais pacífica da existência de nossa espécie.




Thiago Barbosa

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Entre Rick Warren e Daniel Dannet

O pastor Rick Warren é fundador da Saddle Back Church na Califórnia e autor do best-seller Uma Vida com Propósitos, que pré-vendeu 500 mil cópias antes de ser lançado.

Em razão do sucesso do livro, Rick Warren abriu mão de ganhar salário da igreja.






Daniel Clement Dennett (Boston, 28 de março de 1942) é um proeminente filósofo estadunidense.

As pesquisas de Dennet se prendem principalmente à filosofia da mente (relacionada à ciência cognitiva) e da biologia. Dennett é ainda um dos mais proeminentes ateus da actualidade.

Para Dennett, os estados interiores de consciência não existem. Em outras palavras, aquilo que ele chama de "teatro cartesiano", isto é, um local no cérebro onde se processaria a consciência, não existe, pois admitir isto seria concordar com uma noção de intencionalidade intrínseca. Para ele a consciência não se dá em uma área especifica do cérebro, como já dito, mas em uma sequência de inputs e outputs que formam uma cadeia por onde a informação se move.

Um dos livros de Dennett é A Ideia Perigosa de Darwin.





Thiago Barbosa

Dawkins e o ateísmo militante

obs... Acione as legendas no rodapé da tela.






Thiago Barbosa

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um papo com Adélia Prado




Thiago Barbosa

Um papo com Leonardo Boff




Thiago Barbosa

NOVAS HERMENÊUTICAS: O CRISTIANISMO SE TORNANDO ETERNO

A cultura não é uma grandeza estanque. Nela estão revelados todos os valores que regem e direcionam uma comunidade. Sendo assim, as variações existentes dentro de um grupo social serão, necessariamente, refletidas nos princípios e valores adotados e apregoados em uma cultura especifica.

O cristianismo primitivo, ainda nos idos do século I d.C, mostrou-se pronto em se “inculturar”, mostrando a universalidade da ação de Deus encarnado em Jesus. A promessa especificamente feita aos judeus transborda as barreiras étnicas e geopolíticas alcançando agora também os gentios. Nesse aspecto, Paulo de Tarso foi brilhante, um exímio leitor de sua sociedade e re-interpretador das verdades cristológicas. O mundo deve isto a uma hermenêutica paulina, pronta em verificar as especificidades de um povo e apresentar um evangelho condizente com tais culturas.

Essa hermenêutica paulina, que alcança boa parte da Ásia Menor - uma área incrivelmente extensa mesmo para os dias atuais - era acolhida por estas culturas, pois condizia enormemente com sua realidade. O evangelho era, e ainda é, uma grandeza que vai de encontro às necessidades mais profundas do ser humano. A Bíblia, como palavra de Deus, de igual modo deve ir de encontro às necessidades mais profundas das pessoas. Assim, ela não pode apenas mostrar-se presa a uma realidade histórica estagnada à sociedade que a escreveu, porém deve renovar-se a cada dia com a interpretação dinâmica e pró-ativa daqueles que se dispõe a assumi-la como palavra de Deus. As necessidades humanas das culturas modificam-se em suas especificidades, contudo os princípios formadores dessas necessidades, desses anseios, continuam os mesmos, No Crescente Fértil da Palestina, nas cidades da Ásia Menor, o existencialismo europeu moderno, o fundamentalismo econômico e religioso da América do Norte, ou ainda as dores da opressão da América Latina. Todos, em seus princípios formadores, encontram-se exemplificados nas linhas do texto bíblico. Lá se arvoram as descrições de um povo que conheceu a guerra, o exílio, as tormentas climáticas, os desmandos econômicos, a distorção da justiça, a iniqüidade e desesperança mais profundas; todavia, lá também se encontra a relação proximal com Deus, bem como sua encarnação na própria humanidade corrompida por intermédio de Jesus Cristo. No fim da desesperança que fundamenta o desenvolvimento de uma cultura há o surgimento da esperança. Uma luz no fim do túnel.

Na clara definição de que Deus se manifesta de maneira holística junto a cultura dos homens, devemos estar prontos para re-interpretar, re-analisar, re-visitar os dizeres dos textos bíblicos e estarmos prontos para torná-los palavras de vida, que superam a temporalidade dos quase dois milênios que nos distanciam do evento cristológico. Aqui, no século XXI, a Bíblia ainda fala, com a mesma força e profundidade que falava aos judeus que a produziram, porém atingindo as especificidades de nossos tempos, de nossa cultura.

Deste modo é urgente que nos preocupemos com as interpretações que surgem já desde o século XX. A interpretação da cultura por Paul Tillich, por exemplo, deve ser de constante consulta, pois o cristianismo deve sim condizer com as mudanças características e específicas dos nossos dias, de igual modo a morte prematura de Dietrich Bonhoeffer impediu-nos de compreender melhor seu “cristianismo arreligioso” de um mundo que se tornou adulto. A teologia da esperança em Moltmann e Rubem Alves que culmina anos depois na teologia da Liberação em Gustavo Gutierrez e os “irmãos Boff”, desdobrando-se nas difusas formas de libertação de grupos minoritários que são oprimidas por uma sociedade culturalmente estabelecida. Nasce da Teologia da Libertação a teologia Negra, a teologia Feminista, a teologia Indígena, a teologia de Movimentos Campesinos, ou mesmo teologia Operária. Mais recentemente as urgências do repensar sobre o meio ambiente emolduram a teologia ecológica, exemplificada por Leonardo Boff e Haroldo Reimer.

Há também a controversa - e que infelizmente (a meu ver) torna-se comum não só no Brasil, mas no mundo - que é a teologia da prosperidade, onde a força do capitalismo ganha espaço em contraposição à conduta de cooperação e respeito que é condizente com o pensamento fundamental cristão. É a força econômica do capitalismo que ocasiona variantes no processo de interpretação para que a finalidade do indivíduo se sobreponha à necessidade da coletividade.

Percebendo as necessidades de um mundo moderno e a gigantesca possibilidade de interpretações para as complexidades modernas que surgem no texto bíblico observam-se que temas como desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, racismo, ações transculturais, bullying, direitos das mulheres (lei Maria da Penha), Estatuto da Criança e do Adolescente, violência, justiça e suas distorções, guerra, crimes de guerra, política e posturas partidárias; todas estes e outros que eventualmente surjam tornam-se assuntos condizentes com os textos bíblicos e, portanto, assunto de abordagem para novas hermenêuticas.

Desse modo, trabalhar com educação nas comunidades de fé passa a ser uma caminhada feita a pequenos passos, cuidadosamente, sem ativismos e modelos pré-estabelecidos, pois, nesses moldes, observa-se a necessidade de reinterpretar e reviver a fé cristã e seus princípios fundamentais, dia após dia, passo a passo, até o dia em que Ele virá. Maranata, ora vem Senhor Jesus!



Thiago Barbosa