A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

domingo, 10 de abril de 2011

Em homenagem aos conservadores: uma simples pastoral

Nos tempos primordiais da história Israelita, o povo, ainda em organização tribal e de parentesco, relacionava-se com Deus de forma muito especial, mesmo que simples. O Deus de Israel, naquele momento, era Deus que se fazia presente no meio do povo, que caminhava junto do povo atendendo suas necessidades básicas de sobrevivência. Enfim, as pequenas famílias nômades viviam em total dependência do Deus que se revelava a eles. Havia um relacionamento próximo e contínuo, cotidiano, imediato, como a relação familiar. Para o povo primitivo, Deus tinha feições familiares: era considerado como um membro da família. Isso pode ser observado na vida dos Patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e nas narrativas sobre o povo no deserto após o êxodo.


Quando Israel se torna, então, uma grandeza histórica, a preocupação fundamental dos governantes do povo era de que se construísse um lugar fixo, um lugar específico para a adoração a Deus; o mesmo Deus que caminhou junto ao povo em todas as suas “andanças” pelo mundo. Ele, agora, seria o Deus nacional. Deus agora teria um lugar certo e somente lá, na “Casa de Deus”, o povo poderia relacionar-se com Ele. O acesso a Deus fica restrito ao Templo, mediado por sacerdotes, fixado ali. O povo agora se relacionaria com um Deus majestoso, como um Grande Rei - um tanto distante - que exigiria obediência e sacrifício.

Mas, com a “plenitude dos tempos”, aparece Jesus. Homem simples e humilde, revelando um Deus diferente: “Quando quiseres orar entra no teu quarto mais retirado, tranca a tua porta, e dirige a tua oração ao teu PAI que está ali, no segredo. E teu PAI, que vê no segredo, te retribuirá” (Mt 6,6). PAI: é assim que o Senhor Jesus chama a Deus, o Abba, o paizinho.

Deus, como Pai atento, é a figura da família, da intimidade, do quarto secreto, onde ouço e sou ouvido. Diferente da concepção judaizante do Deus nacional - Rei distante - o Deus revelado em Jesus volta a ter feições familiares como nos tempos primordiais. Ele busca a religiosidade interior, pessoal, e nos faz filhos cuidados e protegidos por Ele. Esse Deus-Pai não tem um lugar fixo para se manifestar a seus herdeiros: “nem no monte e nem em Jerusalém”, mas é na vida, no cotidiano, “em espírito e em verdade”.

Que nossas escolas dominicais e nossas dinâmicas educacionais, como um todo, nos dirijam a um relacionamento com o Paizinho, na vida, na caminhada.



Nele, nosso Abba



Jonathan Pereira

Nenhum comentário:

Postar um comentário