A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

SOBRE RELIGIÃO, TEOLOGIA E HISTÓRIA DO ANTIGO ISRAEL




Gostaria de iniciar, nesse espaço virtual, uma “série” de comentários e leituras sobre a Religião, Teologia e História do Antigo Israel. Conto para isso, principalmente, com a colaboração de meu amigo Thiago Barbosa, cujo trabalho de pesquisa atual está posto sobre a literatura veterotestamentária.

Basearemos esses comentários na literatura produzida por especialistas na área tanto da religião como da história e da cultura judaica. Utilizaremos textos de autores clássicos como pesquisadores recentes; todos dentro do círculo dos mais importantes nomes da pesquisa sobre o Israel Antigo para fundamentar nossa reflexão. Nomes como Martin Noth, G. Von Rad, A. Alt, G. Fohrer, N. K. Gottwald, H. Donner, G. F. Hasel, F. Crüsemann, I. Finkelstein, E. Gerstenberger e muitos outros. Isto quer dizer que não ousamos aqui falar de pensamentos próprios, antes, faremos comentários baseados em nossas leituras desses mesmos autores e pesquisadores procurando analisar textos bíblicos que nos “saltam aos olhos” afim de lançar luz sobre o emaranhado de expressões de fé, teologia e culto registradas no Antigo Testamento.



Primeiras Palavras




Primeiramente faz-se necessário clarificar o tipo de abordagem que será feita ou sobre que pressupostos e métodos teológicos estarão baseados nossos estudos que se seguirão. Para isso, uma retrospectiva à história da igreja cristã é necessária afim de extrair, principalmente da Reforma Protestante, o fundamento da pesquisa teológica do Antigo Testamento sobre o qual todos os teólogos e estudiosos sitados acima se baseiam.

Foi a partir século XVI que a aproximação das Sagradas Escrituras ganhou um novo registro de leitura e interpretação. Com o princípio Sola Scriptura , bandeira dos reformadores, deu-se início à luta contra a autoridade da Igreja sobre a bíblia e sobre as consciências, “preparando o terreno” da liberdade com o Livre acesso às escrituras. Uma batlha foi travada contra a escolástica e a tradição, dando uma nova forma à Teologia Bíblica. G. F. Hasel dá-nos um bom entendimento sobre esses novos caminhos da Teologia:



“ O termo Teologia bíblica tem duplo sentido: 1. pode caracterizar a teologia que está arraigada no ensinamento das escrituras e nelas fundamentada ou 2. pode caracterizar a teologia inerente à própria Bíblia. Neste último caso, trata-se de uma disciplina teológica específica... Compreendia-se que a Teologia Bíblica consistia em textos de prova ( dicta probantia ou collegia biblica) das Escrituras, extraídos indiscriminadamente dos dois Testamentos, de modo a apoiar os tradicionais 'sistemas de doutrina'. A função auxiliar da teologia bíblica, em contraposição à dogmática (sistemática), foi solidamente estabelecida por Abraham Calovius ao intitular de teologia bíblica o que antes era chamado de teologia exegética...” (Hasel-1987)



A Teologia Bíblica irá incorrer num movimento emancipatório em relação à Teologia Dogmática. Já em 1745 deixa de ser um auxilio para a Dogmática transformando-se aos poucos numa disciplina independente.

A era do Aufklärung (Iluminismo), principiou o movimento de libertação da Teologia Bíblica com a contribuição do pensamento racionalista. Este reagiu fortemente contra toda a forma de sobrenaturalismo sustentado pela Teologia Clássica. Como afirmou Hasel “a razão humana tornou-se o padrão definitivo e a fonte principal de conhecimento, isto é, a autoridade da Bíblia como registro infalível de revelação divina fora rejeitada”.

A bíblia, então, torna-se um livro antigo, como qualquer outro documento o qual deve ser estudado e interpretado. A partir desse momento, a Teologia Bíblica passa a se tornar rival, como o declarou Anton Friedrich Büsching em 1756, transformando-se aos poucos numa disciplina de caráter histórico.

Num ano decisivo – o ano de 1787 - ouviu-se declarações como a conhecida declaração de J. P. Glaber : “ A teologia bíblica possui um caráter histórico: ela transmite o que os escritores sacros pensavam de temas divinos; já a teologia dogmática possui um caráter didático: ela transmite as ponderações filosóficas de determinado teólogo acerca de temas divinos, levando em conta sua capacidade, época e região que viveu, e orientação ou escola, entre outras coisas.”

É com base nessa chamada “Teologia Bíblica” que pretendemos basear nossos comentário sobre textos bíblicos.

Sobre essa disciplina poderíamos ainda falar muito, principalmente do período – penso eu – de mais auto nível da reflexão séria e comprometida com o diálogo com as ciências e com a história: o século XIX. Mas acho que para uma pequena introdução em forma de esclarecimento é suficiente. Daremos continuidade nas próximas postagens em conjugação com temas diversos que surgem e continuarão surgindo.



Jonathan

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  2. infelizmente, mal educados não são tolerados, basta pesquisar no blog que irá encontrar o assunto. Não há necessidades para xingamentos.

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