A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

sexta-feira, 4 de março de 2011

Encantamento ainda


Na verdade fico feliz quando algumas coisas que penso começam a ser discutidas pelas mentes pensantes do nascente seculo XXI. Digo isso porque tenho acompanhado, entre muitas outras discussões,  a discussão sobre o desencantajmento e o re-encantamento do mundo. Como o disse um ex-professor, a Europa havia decretado o desencantamento do mundo logo após as grandes transformações cinentíficas, filosóficas e tecnológicas advindas do bombástico século XIX. Em outras palavras, toda a magia e sacralidade, toda a visão metafísica do mundo tornou-se uma impossibilidade.Com isso, podemos dizer, o mundo se desencanta.

Mas parece que há um movimento, liderado por filósofos consideravelmente reconhecidos por grande parte dos pensadores atuais, que insistem em propor  a existência ou a ocorrência de um fenômeno: a volta ao encantamento. Para alguns, isso é uma falácia. Pesquisadores como o Dr. Osvaldo Luiz Ribeiro, Teólogo Batista, defendem a posição de que o mundo nunca se desencantou, ao contrário, somente parte da Europa o disse, o vivenciou, em parte, não toda Europa, muito menos todo o mundo. A religião para o Dr. Ribeiro, nunca deixou de existir, nunca. E eu concordo.

Como afirmei no começo, gosto de saber que as coisas pelas quais tenho refletido permeiam o pensamento dos pensadores. Saber que a magia, a sacralidade - porque não dizer a religião - não morreram, ao menos no imaginário das muitas sociedades no mundo e nas discussões dos intelectuais. Isso fortalece a ideia, a qual tenho desenvolvido em meus estudos, de que há no homem o desejo, a necessidade  de encontro, a curiosidade,  o querer sobre o Incondicionado, sobre o Mistério. Está em nossa constituição a partícula sagrada de uma preocupação última, que nos toca e nos leva a uma cosmovisão teônoma do cosmos e da existência. Mesmo que o sagrado nã esteja na coisa em si, está, ao menos, em nossos olhos.

Esse interesse pelo que nos toca incondicionalmente, pelo Uno indivisível, mas que pode ser encontrado aqui e ali, pelo sagrado invisível e também palpável, escondido e revelado, é, sim, coisa humana.
Boas palavras essas, as de

Por isto não ‘creio’, nem ‘descreio’.
Descobri um outro ‘jeito’: sei…
E quando se sabe, não tem como mudar de opinião, já que não é uma opinião. Faz parte de mim, assim com respirar e ter ossos, que com a maturidade chegando doem...
E estas experiências, momentos de êxtase, satori ou samadhi, como se diz na Índia, não tem como descrever. Não tem como transferir…
Não cabe em nenhum livro, nem é minha realidade atual…
Já dancei com ‘algo’ que me elevou aos ‘céus’ e ao mesmo tempo, sentia meus pés bem firmes no chão.
Por isto gosto muito da expressão dos Sufis: La ilaha illa ‘llah, que eu resumo assim: só existe deus. Só deus é!

(José Bosco dalla Pietá Carvalho - 03/04/2007)
Jonathan

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