A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cristianismo sapiencial

Quando li o texto abaixo confesso que me deparei com algo que realmente agradável aos olhos e ao coração. Coração, este meu guerreiro cansado, que clama por frescor emanado do evangelho de Cristo. Encontro-me cansado de sacerdócio vetero-testamentário, leis, julgo, peso, fardo, normativas e obrigações me desanimam nesse início de caminhada. A profecia é grito, clamor, não pelo individualismo egocêntrico de sempre mas a necessidade de colocar em favor da sociedade. Hoje encontrei a beleza de palavras que remetem aos textos sapienciais. Nada de ordem sacerdotal ou grito profético, apenas o sussurro sapiencial, cristianismo em forma de poesia.
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No blog do "caminho da graça" - por Caio Fábio, o perdoado. (http://caminhodagracapublica.blogspot.com/2007/07/um-convite-doce-revoluo-o-reino-simples.htm)
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Um convite à doce Revolução
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Artigo 1 – Fica decretado que agora não há mais nenhuma condenação para quem está em Jesus, pois, o Espírito da Vida em Cristo, livra o homem de toda culpa para sempre.
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Artigo 2 – Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive os Sábados e Domingos, carregam consigo o amanhecer do Dia Chamado Hoje, por isso qualquer homem terá sempre mais valor que as obrigações de qualquer religião.
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Artigo 3 – Fica decretado que a partir deste momento haverá videiras, e que seus vinhos podem ser bebidos; olivais, e que com seus azeites todos podem ser ungidos; mangueiras e mangas de todos os tipos, e que com elas todo homem pode se lambuzar.
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Parágrafo do Momento: Todas as flores serão de esperança; pois que todas as cores, inclusive o preto, serão cores de esperança ante o olhar de quem souber apreciar. Nenhuma cor simbolizará mais o bem ou o mal, mas apenas seu próprio tom, pois, o que daí passar estará sempre no olhar de quem vê.
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Artigo 4 – Fica decretado que o homem não julgará mais o homem, e que cada um respeitará seu próximo como o Rio Negro respeita suas diferenças com o Solimões, visto que com ele se encontra para correrem juntos o mesmo curso até o encontro com o Mar.
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Parágrafo que nada pára: O homem dará liberdade ao homem assim como a águia dá liberdade para seu filhote voar.
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Artigo 5 – Fica decretado que os homens estão livres e que nunca mais nenhum homem será diferente de outro homem por causa de qualquer Causa. Todas as mordaças serão transformadas em ataduras para que sejam curadas as feridas provocadas pela tirania do silencio. A alegria do homem será o prazer de ser quem é para Aquele que o fez, e para todo aquele que encontre em seu caminhar.
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Artigo 6 – Fica ordenado, por mais tempo que o tempo possa medir, que todos os povos da Terra serão um só povo, e que todos trarão as oferendas da Gratidão para a Praça da Nova Jerusalém.
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Artigo 7 – Pelas virtudes da Cruz fica estabelecido que mesmo o mais injusto dos homens que se arrependa de seus maus caminhos, terá acesso à Arvore da Vida, por suas folhas será curado, e dela se alimentará por toda a eternidade.
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Artigo 8 – Está decretado que pela força da Ressurreição nunca mais nenhum homem apresentará a Deus a culpa de outro homem, rogando com ódio as bênçãos da maldição. Pois todo escrito de dívidas que havia contra o homem foi rasgado, e assustados para sempre ficaram os acusadores da maldade.
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Parágrafo único: Cada um aprenderá a cuidar em paz de seu próprio coração.
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Artigo 9 – Fica permanentemente esclarecido, com a Luz do Sol da Justiça, que somente Deus sabe o que se passa na alma de um homem. Portanto, cada consciência saiba de si mesma diante de Deus, pois para sempre todas as coisas são lícitas, e a sabedoria será sempre saber o que convém.
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Artigo 10 – Fica avisado ao mundo que os únicos trajes que vestem bem o homem diante de Deus não são feitos com pano, mas com Sangue; e que os que se vestem com as Roupas do Sangue estão cobertos mesmo quando andam nus.
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Parágrafo certo: A única nudez que será castigada será a da presunção daquele que se pensa por si mesmo vestido.
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Artigo 11 – Fica para sempre discernido como verdade que nada é belo sem amor, e que o olhar de quem não ama jamais enxergará qualquer beleza em nenhum lugar, nem mesmo no Paraíso ou no fundo do Mar.
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Artigo 12 – Está permanentemente decretado o convívio entre todos os seres, por isso, nada é feio, nem mesmo fazer amizades com gorilas ou chamar de minha amiga a sucuri dos igapós. Até a “comigo ninguém pode” está liberta para ser somente a bela planta que é.
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Parágrafo da vida: Uma única coisa está para sempre proibida: tentar ser quem não se é.
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Artigo 13 – Fica ordenado que nunca mais se oferecerá nenhuma Graça em troca de nada, e que o dinheiro perderá qualquer importância nos cultos do homem. Os gasofilácios se transformarão em baús de boas recordações; e todo dinheiro em circulação será passado com tanta leveza e bondade que a mão esquerda não ficará sabendo o que a direita fez com ele.
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Artigo 14 – Fica estabelecido que todo aquele que mentir em nome de Deus vomitará suas próprias mentiras, e delas se alimentará como o camelo, até que decida apenas glorificar a Deus com a verdade do coração.
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Artigo 15 – Nunca mais ninguém usará a frase “Deus pensa”, pois, de uma vez e para sempre, está estabelecido que o homem não sabe o que Deus pensa.
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Artigo 16 – Estabelecido está que a Palavra de Deus não pode ser nem comprada e nem vendida, pois cada um aprenderá que a Palavra é livre como o Vento e poderosa como o Mar.
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Artigo 17 – Permite-se para sempre que onde quer que dois ou três invoquem o Nome em harmonia, nesse lugar nasça uma Catedral, mesmo que esteja coberta pelas folhas de um bananal.
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Artigo 18 – Fica proibido o uso do Nome de Jesus por qualquer homem que o faça para exercer poder sobre seu próximo; e que melhor que a insinceridade é o silencio. Daqui para frente nenhum homem dirá “o Senhor me falou para dizer isto a ti”, pois, Deus mesmo falará à consciência de cada um. Todos os homens e mulheres que crêem serão iguais, e ninguém jamais demandará do próximo submissão, mas apenas reconhecerá o seu direito de livremente ser e amar.
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Artigo 19 – Fica permitido o delírio dos profetas e todas as utopias estão agora instituídas como a mais pura realidade.
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Artigo 20 – Amém!
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Caio Fábio e tantos quantos creiam que uma revolução não precisa ser sem poesia.
Thiago Barbosa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nietzsche Zaraturstra

O profeta do caos - Friedrich Nietzsche (Assim falava Zaratustra)

Profeta, visionário, pensador controvertido, amante das artes, personalidade torturada... Sua figura oscila entre o imenso legado de sua obra e o mito construido em torno de seu perfil, que tem gerado, por vezes, interpretações erradas sobre o filósofo.




Thiago Barbosa

GUIAS ESPIRITUAIS - validadores do do discurso humano-divino. (só como símbolo espero...)

Guias espirituais sempre foram uma constante junto à população. Com membros que alcançam uma notoriedade não seria diferente. Politicos, artistas, empresários, todos se revestem do metafísico - seja qual metafísica for - buscando proteção e aceitação para seus atos. O mais notável nos escritos abaixo são as semelhanças entre todos os lideres religiosos que se prestam a chancelar atitudes humanas. Infelizmente pastores tem se misturada a isso, e seus "serviços" têm apresentado à população os "divinamente preparados" para mostrar-se como líderes de uma nação. Ainda atrelam o "símbolo do divino" nessas presepadas "mazzaropianas".
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O gado - adjetivo que infelizmente teima em representar os "discípulos religiosos" tão bem - aceitam os apontamentos de seus "guias" de forma que o discurso dos guias torna-se o discurso de Deus (deus).
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Abaixo uma entrevista postada no TERRA MAGAZINE sobre "Bita do Barão", o guia espiritual do presidente do senado brasileiro José Sarney. Mas os evangélicos, católicos, espíritas, budistas e todos os demais grupos não se valem de seus "guias" para validar divinamente suas ações e atitudes? Temo que a resposta seja sim, e sejamos reféns de humanos que se valem da manipulação, distorção e anacronismo do discurso sobre o divino.
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Bita do Barão aconselha a Sarney: "Banque o duro" - Claudio Leal
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Os mistérios mais insondáveis do senador e ex-presidente da República José Sarney podem não estar nos escaninhos dos atos secretos, no Senado. Em Codó, no Maranhão, o pai-de-santo Bita do Barão, 93 anos, encerra em muralhas de reticências os segredos espirituais de uma das carreiras políticas mais longevas do Brasil.

Comendador da República condecorado por Sarney em 1988, o pai-de-santo de terecô Wilson Nonato de Souza se fez Bita do Barão "tanto na linha branca como na linha negra". Na cidade com brumas de enigmas, a 300 km de São Luís, a religião de origem africana, mais próxima da Umbanda, cativa políticos e artistas.

Entrevistado por Terra Magazine, o guia espiritual se revela um mestre da desconversa, que é também uma arte. Aberto às perguntas amplas, fechado às específicas, demonstra amizade à família Sarney nas declarações de afeto e nos silêncios ressabiados.

Dessa forma, Bita do Barão afirmará que Sarney tem o "corpo fechado". Tarefa mais árdua será arrancar dele quando ocorreu o último papo entre os dois. O religioso aprecia uma frase certeira da desconversa: "Tô lembrado, não...".

Numa piscada de olho telefônica, porque não está lá para cultivar cercalourenços, o pai-de-santo confessará ao repórter: "O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...". Mais reticências, obrigado.

Aos que duvidam do poder encantatório desse sacerdote nonagenário, um exemplo visual para amornar os preconceitos ou as zangas dos ateus: o Portal Imirante, do grupo Sarney, ostenta um banner com Bita do Barão. Enquanto o "Mr. Moustache" mais famoso da República discursava, na tribuna do Senado, Codó reluzia na página virtual.

No topo, o anúncio do "maior festejo umbandista do Brasil", de 15 a 21 de agosto, dividia olhares com a manchete: "Sarney diz que não renunciará à presidência". Nesse mês aziago para os getulistas e abençoado para Bita do Barão, o Senado debate o futuro do seu conterrâneo. Numa rara ajuda ao ofício jornalístico, o codoense revela qual conselho daria (se é que não deu) ao amigo:

- Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro - recomenda o pai-de-santo de Sarney.

Ao saber que o ex-governador do Maranhão avisou aos colegas e nomeados que ficará na presidência do Senado, o velho sacerdote abriu uma gargalhada, como quem insinua: eu não disse? Sim, era como se Sarney lhe tivesse ouvido, a milhares de quilômetros, na conquista do lugarzinho federal.

Terra Magazine - O senhor é amigo do senador José Sarney, que já lhe condecorou. Como vê essa situação no Senado, tem conversado com ele?
Bita do Barão - Não, eu não converso com ele...

Como se conheceram?
Somos aqui do Maranhão. Somos maranhenses, sou amigo dele e de todo mundo. Sou bem popular. Não é só dele, não.

E essas denúncias contra ele?
Não sei bem quais são...

Ele encomenda algo ao senhor, pede sua ajuda?
Todo mundo que me encontra diz: "Reza pra mim". Essa coisa é quase natural. Eu tenho quase 100 anos de trabalho espírita.

Agora, nessa ocasião especial, o que ele conversou com o senhor?
Não conversei isso com ele, não. Quando eu converso sobre os meus trabalhos espíritas, eu não revelo, não.

Não revela, mas, por conta própria, o senhor reza por ele?
Rezo por todo mundo. Rezo por esse Brasil. Você tá ligando pra mim, mais tarde eu vou fazer uma prece pedindo forças encantadas pra ti.

Obrigado. Nesse caso, o senhor já fez?
Sou amigo dele. Particular. E amigo particular só quer ver o bem. Meus amigos eu quero ver felizes.

E fez algum trabalho pra ele?
Ainda não.

Ele tem corpo fechado pra enfrentar isso aí?
Eu acho. Acho. Acho ele muito forte, muito inteligente, muito protegido por Deus.

Estão sendo injustos com ele?
Ah, eu não sei, porque eu não entendo de política. Eu sou muito seguro. O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...

Muito seguro?
Eu sou, graças a Deus.

Como é feito um trabalho pra ajudá-lo?
Ah, eu não sei. Cada qual trabalha com seu jeito. É o mesmo que a medicina.

Pela longa amizade com Sarney, o que aconselharia?
Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro. É pra bancar o duro, não o fraco. É pra ficar no lugarzinho dele.

Ele terminou de fazer o discurso e disse que vai resistir.
(gargalhadas) Vai ficar aí, esse é o meu conselho. Continue, amigo, em seu lugar! Não saia assim. Saia com muita guerra. Pouca, não.

Em umbanda, existe um guia espiritual pra ele?
Ele é muito forte, ele tem os bons guias dele também. Acredita muito em Deus. Você não viu que ele é muito forte, não? Não viu isso? Você também não acha ele forte, não?

Tem demonstrado força no Senado...
Pois é isso aí, meu amigo. Com força é que se vence. Com fé. E ele vai vencer. Não pede nada pra ninguém. Ele vai vencer.

Qual foi a última vez que vocês conversaram? Faz muito tempo?
Tô lembrando, não...

E o senhor não pode falar, né?
Não dá.

Essa coisa não se pode dizer?
Não... Não falo nesses particulares. Nem dele, nem de ninguém. Tenho uma casa muito oculta, graças a Deus. Além de tudo, sou muito feliz. Sou pobre, mas rico de espírito. Como convidado de honra, quero te receber em minha festa. Em 15 de agosto, gostaria de oferecer um jantar.

O senhor já foi a Brasília?
Vou quase toda semana. Vou muito...

Quase toda semana?
Vou em Brasília demais!

Muitos políticos lhe procuram?
Não tô lembrado, não...

O presidente Lula, como é?
Ele é forte. Brasília... No início de Brasília, eu já freqüentava lá.

A família Sarney é toda protegida?
São gente boa. Eu sou quase da família.

Terra Magazine

Thiago Barbosa

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Teísmo X Ateísmo

Em tempos passados os combates dentre gladiadores animavam e entretinham e controlavam as inssurgências do povo contra os dominadores. Escravos que buscavam sua liberdade no sangue vertido nas arenas. Sangue de iguais, algoz e vítima em uma mesma esfera. O medo, a discórdia, o obscurantismo governamental. Cristãos e feras de todos os recantos do império lutavam para a alegria do imperador e seus súditos.
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Ambos os gladiadores se encontram na esfera da arena, o mais forte sobrevive. A máxima darwinista se torna irrevogável em um duelo onde apenas um sairá vivo, seja cristão ou fera, soldado ou escravo. Só há vida após o sangue misturar-se à areia do coliseu.
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O neo-ateísmo se mostra com força total no século XXI. Gladiadores apresentam suas armas. Este(s) vídeo(s) talvez seja(m) a(s) resposta(s) mais convincente(s) e sincera(s), respeitosa(s) e inteligente(s) que ouvi nestes últimos anos - que são poucos, em verdade absoluta.
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William L. Craig é doutor em Teologia pela Universidade de Munique e em Filosofia pela Universidade de Birmingham. É autor dos livros A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã. Seus argumentos buscam um veracidade que lógicamente é comprometida, como todas são, mas é sincera e permite o diálogo com o opositor-debatedor-pensante.
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Para os mais desavisados sugiro a leitura de:
1 - A linguagem de Deus - Francis Collins
2 - Deus, um delírio - Richard Dawkins
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ps. Será necessário um conhecimento mínimo de biologia, porém nada em demasiado aprofundado. Boa leitura e boas descobertas.
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Thiago Barbosa




sábado, 1 de agosto de 2009

Sobre a VERDADE e a LIBERDADE...

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. (João 8:32)

Acima notamos a mais intensa e ousada busca de toda uma espécie. A liberdade é o grande Eldorado que move a estruturação epistemológica de toda a humanidade como conhecemos.

Homo sapiens, antropocêntrico, rege a liberdade como parâmetro básico para ser pertencente a esta espécie. Liberdade apregoada por conseguirmos controlar as forças da natureza. Livramos-nos do extrativismo pré-histórico e tornamo-nos senhores das forças de uma natureza que nos cerca e outrora controlava nossos destinos ainda impensados. Desiludidos percebem que mesmo controlando ilusoriamente a natureza fazemos parte indivisível do que agora destruímos. Tornamos-nos senhores do mato, e o destruímos, tudo pela liberdade de fincarmos nossas raízes em terras que julgamos ser ideais matando as características de seu idealismo primaz por um idealismo pressuposto por nós Homo sapiens sapiens.

O absolutismo europeu expirou sob o auspício libertacionista da Revolução Francesa. Quanto sangue se derramou pela liberdade humana, no afã, na liberdade. Matamos o homem e esse homem, agora assassino, caminhou rumo ao Übermensch. Não notou Nietzsch que a liberdade de seu homem se prendia ao ódio cético? Não podemos exigir lisura e aristotelismo total e completo de um aristocrata, não sejamos cruéis com Nietzsch, afinal ele é o liberto, o conhecedor da verdade. O restante é massa, gado, cegos por tanta luminosidade ontológica.

Ela, a ontologia, detentora da verdade única sob a tutoria da religião, se desfez das máscaras e mostrou sua face mediante o medievalismo europeu até a pós-modernidade. Quanto deus foi travestido sob a “verdade” da igreja hitlerista, da juventude de Mussolini, do apartheid americano e africano, tudo com a regência “libertadora” da bíblia. Como a falta de teologia séria fez com que o mundo se mostrasse mais cinza , insosso, insípido e inerte no ostracismo religioso.

A verdade que liberta só pode ser subjetiva. A busca é acedia, solitária, triste, depressiva. Só assim se faz busca subjetiva, com experiência pessoal, sincera, e arfante por límpidos ares – mesmo no ar cáustico que emana pós-romantismo.

A esperança é a força motriz que não nos permite desesperar a própria vida. A esperança da liberdade que seja verdade para aquele que buscou com rigor e sinceridade. Só assim conhecereis a VERDADE e a VERDADE vos LIBERTARÁ.

Thiago Barbosa

terça-feira, 21 de julho de 2009

Igreja e escolas - Quando eu crescer quero ser Paulo Freire...rs...

Novamente convidado a falar perante a igreja e, novamente, não gostei. Sempre tenho a impressão de que poderia ter me doado mais, preparado mais, pensado mais. A certeza de que sou capaz de melhorar. Infelizmente isso me deixa um pouco mal depois, com a horrível sensação de serviço mal feito. Acompanha-me tal sensação sempre que falo em público, minhas aulas eram assim.

Acho primordial a troca de experiências, a possibilidade de relação e troca entre professor e aluno, da mesma forma como a relação de troca entre pastor (preletor) e ovelhas (fiéis) deveria ocorrer. Alguns mais ortodoxos devem imaginar que busco rebaixar a idéia de igreja aos patamares de escola. Na verdade, elevo o nível de igreja ao nível de escola, não como a conhecemos – tanto uma como outra – mas um nível que deveríamos conhecer. Uma elevação utópica, mas a utopia não é o que direciona e possibilita a vida?

O princípio Batista “reza” que fé genuína deve estar obrigatoriamente atrelada à uma busca racional da verificação dos textos e discursos religiosos. Aceitamos o mesmo platonismo epistemológico nas escolas e nas igrejas. Como já fui platônico...(ufff)... Assumo que tentei - ainda falho e falharei – mas tentei. A possibilidade de ser o líder, o ponto de referência, o patamar almejado, me seduziu e confesso foi meu objetivo durante anos a fio. Hoje apenas busco a fidelidade a uma busca pela verdade que seja minha, não a de outra pessoa ou instituição, mas que verdadeiramente seja minha verdade. Verdade que leva à liberdade.

Nas aulas, principalmente de pré-vestibular, era o detentor das informações biológicas. Nada de troca, apenas informação fria, calculista, estática, apelativa e “engraçadinha”. Os alunos adoravam, se iludiam na possibilidade de estarem sendo preparados para a vida. Mentira. Eram preparados para uma parte momentânea e frívola. Eles se iludiam que recebiam conhecimento, eu me iludia que fornecia conhecimento, e ambos caminhávamos para o ostracismo da ignorância da vida. Tentei mudar e confesso foi árduo. Como os alunos reclamaram. Gostavam do pseudo-conhecimento, da pseudo-busca. Queriam a faca e o queijo, lhes ofereci a fome, eles gritaram pela faca e o queijo, e quando obtiveram seus almejados utensílios notaram que sem fome de nada adiantariam a faca e o queijo. Tornei-me o carrasco, mas finalmente era sincero com minha busca pela verdade de “vir a ser”.

Nas igrejas não são idênticos os padrões epistemológicos? Somos frios ao discordar de posturas “pecaminosas”, calculistas nos axiomas de crescimento numérico, estático nos padrões de análise e critica de um mundo que se torna adulto, apelativos na distorção de verdades para sustento de visualizações pessoais de um líder e “engraçadinhos” para dissolver complexidades existenciais que regem a humanidade permitiindo uma sensação de torpor analgésico por mensagens instantâneas e pouquíssimo substanciosas. E como as ovelhas gostam, ah se gostam...

Ainda me resta a esperança de que as escolas formem pessoas e finalmente se desassociem das “linhas Fordianas”. A esperança de que as igrejas permitam que humanos sejam humanos, com todos os prós e contras que estão agregados a estas condições. A esperança de que todos (e logicamente me incluo nesse bolo) possamos notar a imperiosidade obrigatória da troca relacional, entre igreja e pastor ou aluno e tutor, para que efetivamente possamos nos encontrar – não apenas com Deus – mas com nosso próprio EU.







Thiago Barbosa

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mais um culto televisivo???

Sim, o evangelho tem sido alvo de afrontas. Infelizmente os atrozes mercenários se dizem cristãos. Vendem sua alma ao próprio diabo - já que eles mesmos assumem o papel de "diabolous" para si. A tv brasileira, e mundial, são reféns desses palhaços...

Não, esse não é mais um agente religiosos televisivo, mas a diferença é pouca, talvez seja apenas as risadas do público, já que a distorção do texto bíblico e pouco caso com o raciocínio de seus "fiéis colaboradores" é o mesmo. Até quando o que vemos na tv será confundido com evangelho? Temos o direito de nos calar? Se tivemos os olhos "abertos" para as verdades através da teologia, temos o direito de permitir que isso continue sem nos pronunciarmos?

Aqui inicio meu protesto... Isso não é cristianismo, é prostituição, blasfêmia, mentira, usurpação. A nós basta a busca incessante pela verdade do cristianismo autêntico e eficaz...

Não se assustem, não é um culto televisionado...ao menos ainda não... Afinal, esses que aí estão parecem não ter limites...

Generalizei, mas são poucos os resistentes... Você o é?





Thiago Barbosa

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cristianismo "arreligioso"

Continuo observando as minúcias de Resistência e Submissão, a carta do dia 08/06/1944 ao amigo Eberhard Bethge torna-se – em minha opinião – o cerne de toda obra teológica e legado cristão de Dietrich Bonhoeffer.

(...) O movimento em direção à autonomia humana (refiro-me à descoberta das leis segundo as quais o mundo vive e dá conta de si mesmo nas áreas da ciência, da sociedade e do Estado, da arte, da ética e da religião), que se iniciou por volta do século 13 – (não quero entrar na discussão sobre o momento exato) -, chegou a uma certa completeza na nossa época. O ser humano aprendeu a dar conta de si mesmo em todas as questões importantes sem apelas para a “hipótese de trabalho de Deus”(a). Nas Questões científicas, artísticas e éticas isto se tornou uma obviedade que dificilmente alguém ainda ousaria questionar; mas, desde cerca de 100 anos (meados do século XIX, sempre ele...rs...) isso vale, de modo crescente, também para as questões religiosas; fica evidente que tudo também funciona sem “Deus”, e tão bem quanto antes.

(...) Ora, as visões católica e protestante da história concordam que se deva ver nesse processo a grande apostasia de Deus, de Cristo e quanto mais elas se valem de Deus e de Cristo e os jogam contra esse desenvolvimento, tanto mais este se compreende como anticristão. O mundo que chegou à consciência de si mesmo e de suas leis vitais está a tal ponto seguro de si mesmo que ficamos inquietos com isso.

(...) Ora a apologia cristã reagiu, das mais diversas formas, contra essa segurança de si próprio. Procura-se demonstrar ao mundo que atingiu a maioridade (b) que ele não seria capaz de viver sem tutor “Deus”.

(...) Considero o ataque da apologia cristã à maioridade do mundo primeiro como sem sentido, segundo como deselegante, terceiro como não cristão.


(a) – Cada pesquisador da natureza terá como objetivo tornar supérflua a hipótese Deus para o seu campo de trabalho (F. Mauthner – Der Atheismus und seine Geschichte im Abendland)

(b) - Quando o sistema teológico-metafísico havia sido abalado nos séculos 15 e 16, então emergiu, a partir das reais necessidades da sociedade do século 17, no âmbito novo de uma ciência que atingira a maioridade, um sistema científico que proporcionava princípios de validade geral para a condução da vida e o governo da sociedade. Da rebelião Holandesa até a Revolução Francesa, ele ( o sistema científico que assume a forma de teologia natural e direito natural) participou ativamente de todas as grandes transformações históricas. Tão admirado quanto censurado, ele é a expressão grandiosa da maioridade a partir de agora atingida pelo espírito humano na religião, no direito e no Estado. (Dietrich Bonhoeffer – Der Fürer und der Einzele in der jungen Generation)

Sim, contundente e sagaz as palavras que emanaram das prisões de Berlim realmente permanecem sem respostas.

1 - Onde fica o “espaço” da igreja, se ele não se perde totalmente?

2 – Se Jesus mesmo não partiu da aflição das pessoas, o que daria razão ao “metodismo” acima criticado (Cristianismo Religioso para um mundo Arreligioso)?

Impressionante também é o rigor com o qual esse “teólogo-pastor” permanece refletindo. Nos dias de Hoje seria claramente tendencioso em suas reflexões, afinal não tem sido assim com boa parte de nossos lideres religiosos? Mais de um ano preso sem saber o real motivo e mesmo assim apresentando-se de forma incorruptível quanto a suas idéias e teologia. A busca de um cristianismo arreligioso para um mundo arreligioso e adulto. A igreja ainda se mostra infantilizada, esquecemos de observam que o mundo cresceu. Nós ainda teimamos em permitir e sonhar obtusamente com um retorno ao medievalismo, mas a evolução – no âmbito biológico – não pode ser retrógrada, o que é jamais voltará a ser, mas poderemos vir a ser um dia? Só resta a esperança de que sim.

Thiago Barbosa

sábado, 11 de julho de 2009

Bonhoeffer, Lucy Ferry, e um problema antigo...

Uma das propostas do livro "Depois da Religião" de Lucy Ferry e Marcel Gauchet é o questionamento quanto à "saída da religião e a permanência do religioso". Semelhante a Bonhoeffer - ou aquilo que entendi do trecho deste teológo transcrito pelo Thiago -, esses dois filósofos franceses enxergam a situação atual da Europa Ociental, que é esse período de "arreligiação".
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No caso desses franceses a questão quanto a "Cristo ser o Senhor dos arreligiosos" e do lugar da igreja nesse contexto já não é discutido, apesar de que a existência humana é um dos assuntos em discusão - em segundo plano mais ainda em discussão. Nesse caso o debate gira em torno do reconhecimento de uma sociedade onde, nessa situação específica, a religião é algo do passado. Como se diz logo na página 7: "De fato o que se apaga, de modo definitivo, é uma visão do mundo inteiramente estruturada pela religião (como heteronomia), uma concepção em que o religioso impregna todos os setores da vida pública e privada."
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Se a plataforma de questionamento de Bonhoeffer for de fato o pensar teologicamente, levando o séc 19 a sério, poderíamos dizer que Lucy Ferry retomou essa antiga discusão. Obviamente que analise desse filósofo se torna imcompleta sob um olhar teológico, que analisará o metafísico em relação ao mundo natural. Porém, creio que - lembrando de nosso querido professor Osvaldo Luis - Bonhoeffer se encontra entre os teólogos fenomenológicos, portanto, seu olhar na teologia é puramente horizonta, não vertical.
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Não cabe a mim responder agora o que será do Cristianismo nesse mundo arreligioso - característico da europa, não do restante do mundo (por enquanto) - e como este deve se portar num mundo secularizado, onde a religião vem ditando cada vez menos as leis públicas e privadas de uma sociedade. Cabe sim continuarmos a fazer perguntas, e como é o caso do thiago, tendo intensas disenterias, para que essas perguntas possam fazer girar as engrenagens da mente e do pensar teológico.
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Termino por aqui deixando um trecho do livro "Depois da Religião", que retrata bem essa arreligião, mas a quase impossibilidade do arreligioso: "Muitos jovens sonhadores, que se querem modernos até o ultimo fio de cabelo e que se julgam libertos dessas velharias ( religião ) que mal podem imaginar, são místicos sem sabê-lo, em busca de uma experiência espiritual. Festa, trase, vertigem, estados alterados de consciência obtidos pela música ou por substâncias adequadas: o que sempre está em causa é o acesso a uma outra ordem de realidade [...] Diz respeito à aspiração de fugir da prisão do cotidiano." (p. 12)
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Alan Buchard

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cristãos com insônia? Só os autênticos.

Penso em teologia, mesmo em estado de torpor mental que as férias me induzem. Estou às voltas com um subversivo da Alemanha, e quem me dera fosse eu idealista o suficiente para ao menos almejar ser como ele. Bonhoeffer, o subversivo.

Sempre tive um chamado para a crítica à instituição religiosa, seja ela qual for. Mesmo sendo membro ativo e efetivo de uma a maior parte de minha medíocre vida sempre pensei e fiz teologia. Acho que só se pode ser cristão dessa forma, pensando e fazendo teologia, não a teórica de gabinete, mas a prática do discurso e da ação “inloco”. E em minhas buscas pela essência do cristianismo efetivo me deparei com um livro no mínimo intrigante, Na capa a foto de Dietrich Bonhoeffer, óculos, calvície proeminente, ar de estudioso, meio sorriso, frio e misterioso como todo autêntico europeu setentrional o deve ser. Mas a tensão se faz quando você percebe que todas as suas dúvidas também foram as dúvidas deste resistente.

Aqui transcrevo duas páginas que me tiraram o sono, e ainda tiram, de um homem que se permitiu a dúvida sobre os caminhos da religião, do cristianismo e da teologia. Deleitem-se.

Dietrich Bonhoeffer – Resistência e Submissão (cartas e anotações escritas na prisão)

O que me ocupa incessantemente é a questão: o que é cristianismo ou ainda quem é de fato Cristo para nós hoje. Foi-se o tempo em que se podia dizer isso para as pessoas por meio de palavras – sejam teológicas ou piedosas; passou igualmente o tempo da interioridade e da consciência moral, ou seja, o tempo da religião de maneira geral. Rumamos para uma época totalmente arreligiosa; as pessoas, sendo como são, simplesmente não conseguem mais ser religiosas. Também aquelas que sinceramente se dizem “religiosas” de modo algum praticam o que dizem; portanto, é provável que com o termo “religioso” estejam referindo-se a algo bem diferente. Porém, toda a nossa pregação e teologia cristãs de 1.900 anos baseiam-se no “a priori religioso" das pessoas. O “cristianismo” sempre foi uma forma (talvez a verdadeira) da “religião”. Ora, se um dia evidenciar-se que esse “a priori” nem existe, mas foi uma forma de expressão historicamente condicionada e passageira do ser humano, se, portanto, as pessoas tornarem-se radicalmente arreligiosas – e acredito que em maior ou menor grau esse já seja o caso – então o que isso significa para o “cristianismo”? Tiram-se as bases de todo o nosso “cristianismo”, da maneira como existiu até agora; e restam apenas alguns poucos “últimos cavaleiros” ou um punhado de pessoas intelectualmente desonestas que ainda aceitariam uma abordagem “religiosa”. Acaso seriam esses os poucos eleitos? Devemos atirar-nos, zelosos, rancorosos ou indignados, precisamente sobre esse grupo suspeito de pessoas para vender-lhes nossa mercadoria? Devemos assaltar um punhado de pessoas infelizes num momento de fraqueza e, por assim dizer, violentá-las religiosamente? Se não quisermos nada disso e se, por fim, tivermos de considerar a forma ocidental do cristianismo apenas como um estágio preliminar de uma arreligiosidade total, que situação surge então para nós, para a igreja? Como poderá Cristo tornar-se o Senhor também dos arreligiosos? Existem cristãos arreligiosos? Se a religião é apenas uma roupagem do cristianismo – e também essa roupagem teve aspectos muito diferentes em diferentes épocas – o que seria então um cristianismo arreligioso?

Sim, isso me pertuba, me persegue, me atormenta, me conclama, me estarrece, me confronta, me afronta e dita o ritmo de meus dias na teologia acadêmica e cotidiana. Mas, se para você tais palavras nada transmitem, não causam insônia, urticária, desinteria, soluço, calafrios e mau-súbito de toda a natureza, fica minha sincera pergunta: Você é verdadeiramente cristão?

Thiago Barbosa

terça-feira, 7 de julho de 2009

MICHAEL JACKSON - Um profeta?


Paul Tillich, preocupou-se com a compreensão e com a crítica da realidade nos aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos. Em função disso, como visto, estabeleceu amplo debate entre a teologia e diferentes campos do conhecimento, o que possibilitou refutar formas de reducionismo e de absolutismo religioso ou teológico. Nesse sentido, está a referência à sua produção como teologia da mediação.

As experiências de vida que o fizeram confrontar-se com a realidade de sofrimento humano vivenciado de maneira especial com o nazismo e no período das grandes guerras mundiais destruíram a mentalidade liberal e o otimismo que possuía em relação às iniciativas humanas. Todavia, não obstante a isso, Tillich sempre insistiu na participação compromissada em projetos de transformação social.

Isso foi possível devido, entre outros fatores, à formação cultural dele, em especial as influências filosóficas do existencialismo e do marxismo, que ofereceram substancialidade ao seu pensamento teológico. A síntese criativa e crítica dessas perspectivas filosóficas possibilitaram, por um lado, uma visão crítica da igreja e da sociedade e, por outro, participação ativa nos processos sociais, eclesiais e políticos de sua época.

Essa postura dialética, sintonizada com o profetismo bíblico, contribuiu para a formulação de conceitos que o autor aplicou para a compreensão da cultura e da história. Trata-se, principalmente, do princípio socialista, do princípio protestante, do Kairos, de teonomia, da situação-limite e da Comunidade Espiritual. A metodologia teológica do autor não poderia estar dissociada do conjunto de questões de sua vida, em função do peso da reflexão existencial por ele atribuída. A metodologia por ele proposta tentava oferecer respostas às indagações da situação humana, com a devida integração das dimensões existencial e social, o que garante relevância e substancialidade da produção teórica de Tillich, mesmo em outros contextos sociais e em outras épocas. O seu método da correlação procura explicar os conteúdos da fé cristã por intermédio de perguntas existenciais e de respostas teológicas em mútua interdependência.

As perguntas da existência humana e as respostas teológicas conduzem o ser humano a um ponto que não se refere a um momento no tempo, mas ao ser essencial do humano em sua unidade existencial que reúne a finitude humana e a infinitude divina. Nesse sentido, ficam destacadas as preocupações de Tillich com a cultura, com a história e com a busca do Incondicionado.

Tillich compreendia que somente as pessoas e os grupos que experimentarem o impacto da transitoriedade, a ansiedade gerada pela consciência de sua finitude, a ameaça do não-ser, as ambigüidades trágicas da existência histórica e questionarem radicalmente o sentido da existência, podem entender o que significam a Palavra e o Reino de Deus. Ainda que previamente, é possível concluir que o Reino de Deus, uma vez em correlação com o enigma da existência histórica, é o sentido, a plenitude e a unidade da história. A experiência de vida, o método teológico e a preocupação de Tillich em estabelecer uma relação da teologia com a cultura e com a história, e a busca incessante pelo Incondicionado, como Preocupação Última, são aspectos que o autorizam como interlocutor nas reflexões teológicas de hoje.

Utilizando de padrão os conceitos de manifestação da “divindade” nos aspecto cultural de uma sociedade podemos notar “insights” de ação e manifesto de um Deus que é símbolo para Deus. Em tempos modernos, onde a igreja paradoxalmente é medieval, notamos a insurgência de gritos proféticos dos “cultuados culturalizadores”. Os artistas, outrora subversivos e saltimbancos, assumem a voz profética de uma igreja que se cala frente à sociedade atônita. A igreja se cala mediante a sociedade e sussurra para Deus sem nada conseguir. Os artistas gritam para si mesmos, mas se tornam os profetas de uma sociedade sem Deus.

Quando seremos novamente profetas? Não sei. Alusivo ao proposto acima e relembrando o post sobre John Lennon do amigo Allan, gritou MICHAEL JACKSON!

We Are The World (tradução)
USA For Africa
Composição: Michael Jackson & Lionel Ritchie


We are the World (Nós Somos o Mundo)
Chega um momento, quando ouvimos uma certa chamada
Quando o mundo tem que vir junto como um só
Há pessoas morrendo
E está na hora de dar uma mão a vida
O maior presente de todos
Nós não podemos continuar fingindo todos os dias
Que alguém, em algum lugar irá mudar
Todos nós somos parte da grande família de Deus
É a verdade
Você sabe que o amor é tudo que nós precisamos

Refrão:
Nós somos o mundo, nós somos as crianças
Nós que fazemos um dia mais brilhante
Assim comecemos nos dedicando
Há uma escolha que nós estamos fazendo
Nós estamos salvando nossas próprias vidas
É verdade que nós faremos um dia melhor, só você e eu
Lhes envie seu coração assim eles saberão que alguém se preocupa
E as vidas deles serão mais fortes e independentes
Como Deus nos mostrou transformando pedras em pão
E por isso todos nós temos que dar uma mão amiga

refrão
Quando você está acabado, e não aparece nenhuma esperança
Mas se você acredita que não há nenhum modo que nos faça cair
Nos deixa perceber que uma mudança só pode vir
Quando nós nos levantamos junto como um só

Thiago Barbosa

sábado, 4 de julho de 2009

Que desse mal a gente não sofra...

"Os que estão em cima raramente empreendem coisas diferentes. Não lhes interessa mudar as coisas. O poder e a riqueza são benevolentes para com aqueles que os possuem." (O que é Religião, p. 43)
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O que almejamos com um curso superior, a não ser conhecimento, e junto deste a projeção social? O que queremos além de ascendermos à pos~ição de líderes, seja em qual esfera for?
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Lutamos para que assim como nos possibilitaram a mudança da mentalidade de criança para enxergarmos o mundo a volta com seriedade - visualizando transformações - e responsabilidade - para suportar as consequências -, possamos possibilitar a outros uma nova cosmovisão, se assim desejarem.
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Porém, questiono: Uma vez estando a frente de um grupo, consideraríamos as pessoas como "massa" - que facilmente se manipula -, ou seres humanos dotados de entendimento e racionalidade? Empreenderíamos as mudanças que tanto sonhamos em nossa formação, ou nos manteríamos metafóricos devido às exigências de um sistema?
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Mesmo não tendo condição de responder a essa questão no presente momento, cabe-me lamentar a situação que nos encontramos. Os "grandes" e "poderosos" que foram agraciados com as indulgências da riqueza e do poderio, sofreram recalque. Destes, não há muita esperança de transformação.
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Revoltante, contudo, é enxergar que esses poderosos só ascenderam porque nos conferimos a estes, essa posição; e que se não fosse o consentimento positivo dos "liderados", a realidade seria diferente.
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Lamentável situação. Quero crer que essa perversão não me atinja, nem aos demais amigos sustentadores desse blog. E se caso essa perversão tomar conta de nós, o leitor terá todo o direito de se revoltar para que quem estiver no comando abdique.
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Alan Buchard