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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Cristianismo sapiencial
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Nietzsche Zaraturstra
Profeta, visionário, pensador controvertido, amante das artes, personalidade torturada... Sua figura oscila entre o imenso legado de sua obra e o mito construido em torno de seu perfil, que tem gerado, por vezes, interpretações erradas sobre o filósofo.
Thiago Barbosa
GUIAS ESPIRITUAIS - validadores do do discurso humano-divino. (só como símbolo espero...)
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Os mistérios mais insondáveis do senador e ex-presidente da República José Sarney podem não estar nos escaninhos dos atos secretos, no Senado. Em Codó, no Maranhão, o pai-de-santo Bita do Barão, 93 anos, encerra em muralhas de reticências os segredos espirituais de uma das carreiras políticas mais longevas do Brasil.
Comendador da República condecorado por Sarney em 1988, o pai-de-santo de terecô Wilson Nonato de Souza se fez Bita do Barão "tanto na linha branca como na linha negra". Na cidade com brumas de enigmas, a 300 km de São Luís, a religião de origem africana, mais próxima da Umbanda, cativa políticos e artistas.
Entrevistado por Terra Magazine, o guia espiritual se revela um mestre da desconversa, que é também uma arte. Aberto às perguntas amplas, fechado às específicas, demonstra amizade à família Sarney nas declarações de afeto e nos silêncios ressabiados.
Dessa forma, Bita do Barão afirmará que Sarney tem o "corpo fechado". Tarefa mais árdua será arrancar dele quando ocorreu o último papo entre os dois. O religioso aprecia uma frase certeira da desconversa: "Tô lembrado, não...".
Numa piscada de olho telefônica, porque não está lá para cultivar cercalourenços, o pai-de-santo confessará ao repórter: "O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...". Mais reticências, obrigado.
Aos que duvidam do poder encantatório desse sacerdote nonagenário, um exemplo visual para amornar os preconceitos ou as zangas dos ateus: o Portal Imirante, do grupo Sarney, ostenta um banner com Bita do Barão. Enquanto o "Mr. Moustache" mais famoso da República discursava, na tribuna do Senado, Codó reluzia na página virtual.
No topo, o anúncio do "maior festejo umbandista do Brasil", de 15 a 21 de agosto, dividia olhares com a manchete: "Sarney diz que não renunciará à presidência". Nesse mês aziago para os getulistas e abençoado para Bita do Barão, o Senado debate o futuro do seu conterrâneo. Numa rara ajuda ao ofício jornalístico, o codoense revela qual conselho daria (se é que não deu) ao amigo:
- Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro - recomenda o pai-de-santo de Sarney.
Ao saber que o ex-governador do Maranhão avisou aos colegas e nomeados que ficará na presidência do Senado, o velho sacerdote abriu uma gargalhada, como quem insinua: eu não disse? Sim, era como se Sarney lhe tivesse ouvido, a milhares de quilômetros, na conquista do lugarzinho federal.
Terra Magazine - O senhor é amigo do senador José Sarney, que já lhe condecorou. Como vê essa situação no Senado, tem conversado com ele?
Bita do Barão - Não, eu não converso com ele...
Como se conheceram?
Somos aqui do Maranhão. Somos maranhenses, sou amigo dele e de todo mundo. Sou bem popular. Não é só dele, não.
E essas denúncias contra ele?
Não sei bem quais são...
Ele encomenda algo ao senhor, pede sua ajuda?
Todo mundo que me encontra diz: "Reza pra mim". Essa coisa é quase natural. Eu tenho quase 100 anos de trabalho espírita.
Agora, nessa ocasião especial, o que ele conversou com o senhor?
Não conversei isso com ele, não. Quando eu converso sobre os meus trabalhos espíritas, eu não revelo, não.
Não revela, mas, por conta própria, o senhor reza por ele?
Rezo por todo mundo. Rezo por esse Brasil. Você tá ligando pra mim, mais tarde eu vou fazer uma prece pedindo forças encantadas pra ti.
Obrigado. Nesse caso, o senhor já fez?
Sou amigo dele. Particular. E amigo particular só quer ver o bem. Meus amigos eu quero ver felizes.
E fez algum trabalho pra ele?
Ainda não.
Ele tem corpo fechado pra enfrentar isso aí?
Eu acho. Acho. Acho ele muito forte, muito inteligente, muito protegido por Deus.
Estão sendo injustos com ele?
Ah, eu não sei, porque eu não entendo de política. Eu sou muito seguro. O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...
Muito seguro?
Eu sou, graças a Deus.
Como é feito um trabalho pra ajudá-lo?
Ah, eu não sei. Cada qual trabalha com seu jeito. É o mesmo que a medicina.
Pela longa amizade com Sarney, o que aconselharia?
Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro. É pra bancar o duro, não o fraco. É pra ficar no lugarzinho dele.
Ele terminou de fazer o discurso e disse que vai resistir.
(gargalhadas) Vai ficar aí, esse é o meu conselho. Continue, amigo, em seu lugar! Não saia assim. Saia com muita guerra. Pouca, não.
Em umbanda, existe um guia espiritual pra ele?
Ele é muito forte, ele tem os bons guias dele também. Acredita muito em Deus. Você não viu que ele é muito forte, não? Não viu isso? Você também não acha ele forte, não?
Tem demonstrado força no Senado...
Pois é isso aí, meu amigo. Com força é que se vence. Com fé. E ele vai vencer. Não pede nada pra ninguém. Ele vai vencer.
Qual foi a última vez que vocês conversaram? Faz muito tempo?
Tô lembrando, não...
E o senhor não pode falar, né?
Não dá.
Essa coisa não se pode dizer?
Não... Não falo nesses particulares. Nem dele, nem de ninguém. Tenho uma casa muito oculta, graças a Deus. Além de tudo, sou muito feliz. Sou pobre, mas rico de espírito. Como convidado de honra, quero te receber em minha festa. Em 15 de agosto, gostaria de oferecer um jantar.
O senhor já foi a Brasília?
Vou quase toda semana. Vou muito...
Quase toda semana?
Vou em Brasília demais!
Muitos políticos lhe procuram?
Não tô lembrado, não...
O presidente Lula, como é?
Ele é forte. Brasília... No início de Brasília, eu já freqüentava lá.
A família Sarney é toda protegida?
São gente boa. Eu sou quase da família.
Terra Magazine
Thiago Barbosa
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Teísmo X Ateísmo
sábado, 1 de agosto de 2009
Sobre a VERDADE e a LIBERDADE...
Acima notamos a mais intensa e ousada busca de toda uma espécie. A liberdade é o grande Eldorado que move a estruturação epistemológica de toda a humanidade como conhecemos.
Homo sapiens, antropocêntrico, rege a liberdade como parâmetro básico para ser pertencente a esta espécie. Liberdade apregoada por conseguirmos controlar as forças da natureza. Livramos-nos do extrativismo pré-histórico e tornamo-nos senhores das forças de uma natureza que nos cerca e outrora controlava nossos destinos ainda impensados. Desiludidos percebem que mesmo controlando ilusoriamente a natureza fazemos parte indivisível do que agora destruímos. Tornamos-nos senhores do mato, e o destruímos, tudo pela liberdade de fincarmos nossas raízes em terras que julgamos ser ideais matando as características de seu idealismo primaz por um idealismo pressuposto por nós Homo sapiens sapiens.
O absolutismo europeu expirou sob o auspício libertacionista da Revolução Francesa. Quanto sangue se derramou pela liberdade humana, no afã, na liberdade. Matamos o homem e esse homem, agora assassino, caminhou rumo ao Übermensch. Não notou Nietzsch que a liberdade de seu homem se prendia ao ódio cético? Não podemos exigir lisura e aristotelismo total e completo de um aristocrata, não sejamos cruéis com Nietzsch, afinal ele é o liberto, o conhecedor da verdade. O restante é massa, gado, cegos por tanta luminosidade ontológica.
Ela, a ontologia, detentora da verdade única sob a tutoria da religião, se desfez das máscaras e mostrou sua face mediante o medievalismo europeu até a pós-modernidade. Quanto deus foi travestido sob a “verdade” da igreja hitlerista, da juventude de Mussolini, do apartheid americano e africano, tudo com a regência “libertadora” da bíblia. Como a falta de teologia séria fez com que o mundo se mostrasse mais cinza , insosso, insípido e inerte no ostracismo religioso.
A verdade que liberta só pode ser subjetiva. A busca é acedia, solitária, triste, depressiva. Só assim se faz busca subjetiva, com experiência pessoal, sincera, e arfante por límpidos ares – mesmo no ar cáustico que emana pós-romantismo.
A esperança é a força motriz que não nos permite desesperar a própria vida. A esperança da liberdade que seja verdade para aquele que buscou com rigor e sinceridade. Só assim conhecereis a VERDADE e a VERDADE vos LIBERTARÁ.
Thiago Barbosa
terça-feira, 21 de julho de 2009
Igreja e escolas - Quando eu crescer quero ser Paulo Freire...rs...
Acho primordial a troca de experiências, a possibilidade de relação e troca entre professor e aluno, da mesma forma como a relação de troca entre pastor (preletor) e ovelhas (fiéis) deveria ocorrer. Alguns mais ortodoxos devem imaginar que busco rebaixar a idéia de igreja aos patamares de escola. Na verdade, elevo o nível de igreja ao nível de escola, não como a conhecemos – tanto uma como outra – mas um nível que deveríamos conhecer. Uma elevação utópica, mas a utopia não é o que direciona e possibilita a vida?
O princípio Batista “reza” que fé genuína deve estar obrigatoriamente atrelada à uma busca racional da verificação dos textos e discursos religiosos. Aceitamos o mesmo platonismo epistemológico nas escolas e nas igrejas. Como já fui platônico...(ufff)... Assumo que tentei - ainda falho e falharei – mas tentei. A possibilidade de ser o líder, o ponto de referência, o patamar almejado, me seduziu e confesso foi meu objetivo durante anos a fio. Hoje apenas busco a fidelidade a uma busca pela verdade que seja minha, não a de outra pessoa ou instituição, mas que verdadeiramente seja minha verdade. Verdade que leva à liberdade.
Nas aulas, principalmente de pré-vestibular, era o detentor das informações biológicas. Nada de troca, apenas informação fria, calculista, estática, apelativa e “engraçadinha”. Os alunos adoravam, se iludiam na possibilidade de estarem sendo preparados para a vida. Mentira. Eram preparados para uma parte momentânea e frívola. Eles se iludiam que recebiam conhecimento, eu me iludia que fornecia conhecimento, e ambos caminhávamos para o ostracismo da ignorância da vida. Tentei mudar e confesso foi árduo. Como os alunos reclamaram. Gostavam do pseudo-conhecimento, da pseudo-busca. Queriam a faca e o queijo, lhes ofereci a fome, eles gritaram pela faca e o queijo, e quando obtiveram seus almejados utensílios notaram que sem fome de nada adiantariam a faca e o queijo. Tornei-me o carrasco, mas finalmente era sincero com minha busca pela verdade de “vir a ser”.
Nas igrejas não são idênticos os padrões epistemológicos? Somos frios ao discordar de posturas “pecaminosas”, calculistas nos axiomas de crescimento numérico, estático nos padrões de análise e critica de um mundo que se torna adulto, apelativos na distorção de verdades para sustento de visualizações pessoais de um líder e “engraçadinhos” para dissolver complexidades existenciais que regem a humanidade permitiindo uma sensação de torpor analgésico por mensagens instantâneas e pouquíssimo substanciosas. E como as ovelhas gostam, ah se gostam...
Ainda me resta a esperança de que as escolas formem pessoas e finalmente se desassociem das “linhas Fordianas”. A esperança de que as igrejas permitam que humanos sejam humanos, com todos os prós e contras que estão agregados a estas condições. A esperança de que todos (e logicamente me incluo nesse bolo) possamos notar a imperiosidade obrigatória da troca relacional, entre igreja e pastor ou aluno e tutor, para que efetivamente possamos nos encontrar – não apenas com Deus – mas com nosso próprio EU.
Thiago Barbosa
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Mais um culto televisivo???
Não, esse não é mais um agente religiosos televisivo, mas a diferença é pouca, talvez seja apenas as risadas do público, já que a distorção do texto bíblico e pouco caso com o raciocínio de seus "fiéis colaboradores" é o mesmo. Até quando o que vemos na tv será confundido com evangelho? Temos o direito de nos calar? Se tivemos os olhos "abertos" para as verdades através da teologia, temos o direito de permitir que isso continue sem nos pronunciarmos?
Aqui inicio meu protesto... Isso não é cristianismo, é prostituição, blasfêmia, mentira, usurpação. A nós basta a busca incessante pela verdade do cristianismo autêntico e eficaz...
Não se assustem, não é um culto televisionado...ao menos ainda não... Afinal, esses que aí estão parecem não ter limites...
Generalizei, mas são poucos os resistentes... Você o é?
Thiago Barbosa
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cristianismo "arreligioso"
(...) O movimento em direção à autonomia humana (refiro-me à descoberta das leis segundo as quais o mundo vive e dá conta de si mesmo nas áreas da ciência, da sociedade e do Estado, da arte, da ética e da religião), que se iniciou por volta do século 13 – (não quero entrar na discussão sobre o momento exato) -, chegou a uma certa completeza na nossa época. O ser humano aprendeu a dar conta de si mesmo em todas as questões importantes sem apelas para a “hipótese de trabalho de Deus”(a). Nas Questões científicas, artísticas e éticas isto se tornou uma obviedade que dificilmente alguém ainda ousaria questionar; mas, desde cerca de 100 anos (meados do século XIX, sempre ele...rs...) isso vale, de modo crescente, também para as questões religiosas; fica evidente que tudo também funciona sem “Deus”, e tão bem quanto antes.
(...) Ora, as visões católica e protestante da história concordam que se deva ver nesse processo a grande apostasia de Deus, de Cristo e quanto mais elas se valem de Deus e de Cristo e os jogam contra esse desenvolvimento, tanto mais este se compreende como anticristão. O mundo que chegou à consciência de si mesmo e de suas leis vitais está a tal ponto seguro de si mesmo que ficamos inquietos com isso.
(...) Ora a apologia cristã reagiu, das mais diversas formas, contra essa segurança de si próprio. Procura-se demonstrar ao mundo que atingiu a maioridade (b) que ele não seria capaz de viver sem tutor “Deus”.
(...) Considero o ataque da apologia cristã à maioridade do mundo primeiro como sem sentido, segundo como deselegante, terceiro como não cristão.
(a) – Cada pesquisador da natureza terá como objetivo tornar supérflua a hipótese Deus para o seu campo de trabalho (F. Mauthner – Der Atheismus und seine Geschichte im Abendland)
(b) - Quando o sistema teológico-metafísico havia sido abalado nos séculos 15 e 16, então emergiu, a partir das reais necessidades da sociedade do século 17, no âmbito novo de uma ciência que atingira a maioridade, um sistema científico que proporcionava princípios de validade geral para a condução da vida e o governo da sociedade. Da rebelião Holandesa até a Revolução Francesa, ele ( o sistema científico que assume a forma de teologia natural e direito natural) participou ativamente de todas as grandes transformações históricas. Tão admirado quanto censurado, ele é a expressão grandiosa da maioridade a partir de agora atingida pelo espírito humano na religião, no direito e no Estado. (Dietrich Bonhoeffer – Der Fürer und der Einzele in der jungen Generation)
Sim, contundente e sagaz as palavras que emanaram das prisões de Berlim realmente permanecem sem respostas.
1 - Onde fica o “espaço” da igreja, se ele não se perde totalmente?
2 – Se Jesus mesmo não partiu da aflição das pessoas, o que daria razão ao “metodismo” acima criticado (Cristianismo Religioso para um mundo Arreligioso)?
Impressionante também é o rigor com o qual esse “teólogo-pastor” permanece refletindo. Nos dias de Hoje seria claramente tendencioso em suas reflexões, afinal não tem sido assim com boa parte de nossos lideres religiosos? Mais de um ano preso sem saber o real motivo e mesmo assim apresentando-se de forma incorruptível quanto a suas idéias e teologia. A busca de um cristianismo arreligioso para um mundo arreligioso e adulto. A igreja ainda se mostra infantilizada, esquecemos de observam que o mundo cresceu. Nós ainda teimamos em permitir e sonhar obtusamente com um retorno ao medievalismo, mas a evolução – no âmbito biológico – não pode ser retrógrada, o que é jamais voltará a ser, mas poderemos vir a ser um dia? Só resta a esperança de que sim.
Thiago Barbosa
sábado, 11 de julho de 2009
Bonhoeffer, Lucy Ferry, e um problema antigo...
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Cristãos com insônia? Só os autênticos.
Sempre tive um chamado para a crítica à instituição religiosa, seja ela qual for. Mesmo sendo membro ativo e efetivo de uma a maior parte de minha medíocre vida sempre pensei e fiz teologia. Acho que só se pode ser cristão dessa forma, pensando e fazendo teologia, não a teórica de gabinete, mas a prática do discurso e da ação “inloco”. E em minhas buscas pela essência do cristianismo efetivo me deparei com um livro no mínimo intrigante, Na capa a foto de Dietrich Bonhoeffer, óculos, calvície proeminente, ar de estudioso, meio sorriso, frio e misterioso como todo autêntico europeu setentrional o deve ser. Mas a tensão se faz quando você percebe que todas as suas dúvidas também foram as dúvidas deste resistente.
Aqui transcrevo duas páginas que me tiraram o sono, e ainda tiram, de um homem que se permitiu a dúvida sobre os caminhos da religião, do cristianismo e da teologia. Deleitem-se.
Dietrich Bonhoeffer – Resistência e Submissão (cartas e anotações escritas na prisão)
O que me ocupa incessantemente é a questão: o que é cristianismo ou ainda quem é de fato Cristo para nós hoje. Foi-se o tempo em que se podia dizer isso para as pessoas por meio de palavras – sejam teológicas ou piedosas; passou igualmente o tempo da interioridade e da consciência moral, ou seja, o tempo da religião de maneira geral. Rumamos para uma época totalmente arreligiosa; as pessoas, sendo como são, simplesmente não conseguem mais ser religiosas. Também aquelas que sinceramente se dizem “religiosas” de modo algum praticam o que dizem; portanto, é provável que com o termo “religioso” estejam referindo-se a algo bem diferente. Porém, toda a nossa pregação e teologia cristãs de 1.900 anos baseiam-se no “a priori religioso" das pessoas. O “cristianismo” sempre foi uma forma (talvez a verdadeira) da “religião”. Ora, se um dia evidenciar-se que esse “a priori” nem existe, mas foi uma forma de expressão historicamente condicionada e passageira do ser humano, se, portanto, as pessoas tornarem-se radicalmente arreligiosas – e acredito que em maior ou menor grau esse já seja o caso – então o que isso significa para o “cristianismo”? Tiram-se as bases de todo o nosso “cristianismo”, da maneira como existiu até agora; e restam apenas alguns poucos “últimos cavaleiros” ou um punhado de pessoas intelectualmente desonestas que ainda aceitariam uma abordagem “religiosa”. Acaso seriam esses os poucos eleitos? Devemos atirar-nos, zelosos, rancorosos ou indignados, precisamente sobre esse grupo suspeito de pessoas para vender-lhes nossa mercadoria? Devemos assaltar um punhado de pessoas infelizes num momento de fraqueza e, por assim dizer, violentá-las religiosamente? Se não quisermos nada disso e se, por fim, tivermos de considerar a forma ocidental do cristianismo apenas como um estágio preliminar de uma arreligiosidade total, que situação surge então para nós, para a igreja? Como poderá Cristo tornar-se o Senhor também dos arreligiosos? Existem cristãos arreligiosos? Se a religião é apenas uma roupagem do cristianismo – e também essa roupagem teve aspectos muito diferentes em diferentes épocas – o que seria então um cristianismo arreligioso?
Sim, isso me pertuba, me persegue, me atormenta, me conclama, me estarrece, me confronta, me afronta e dita o ritmo de meus dias na teologia acadêmica e cotidiana. Mas, se para você tais palavras nada transmitem, não causam insônia, urticária, desinteria, soluço, calafrios e mau-súbito de toda a natureza, fica minha sincera pergunta: Você é verdadeiramente cristão?
Thiago Barbosa
terça-feira, 7 de julho de 2009
MICHAEL JACKSON - Um profeta?
Paul Tillich, preocupou-se com a compreensão e com a crítica da realidade nos aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos. Em função disso, como visto, estabeleceu amplo debate entre a teologia e diferentes campos do conhecimento, o que possibilitou refutar formas de reducionismo e de absolutismo religioso ou teológico. Nesse sentido, está a referência à sua produção como teologia da mediação.
As experiências de vida que o fizeram confrontar-se com a realidade de sofrimento humano vivenciado de maneira especial com o nazismo e no período das grandes guerras mundiais destruíram a mentalidade liberal e o otimismo que possuía em relação às iniciativas humanas. Todavia, não obstante a isso, Tillich sempre insistiu na participação compromissada em projetos de transformação social.
Isso foi possível devido, entre outros fatores, à formação cultural dele, em especial as influências filosóficas do existencialismo e do marxismo, que ofereceram substancialidade ao seu pensamento teológico. A síntese criativa e crítica dessas perspectivas filosóficas possibilitaram, por um lado, uma visão crítica da igreja e da sociedade e, por outro, participação ativa nos processos sociais, eclesiais e políticos de sua época.
Essa postura dialética, sintonizada com o profetismo bíblico, contribuiu para a formulação de conceitos que o autor aplicou para a compreensão da cultura e da história. Trata-se, principalmente, do princípio socialista, do princípio protestante, do Kairos, de teonomia, da situação-limite e da Comunidade Espiritual. A metodologia teológica do autor não poderia estar dissociada do conjunto de questões de sua vida, em função do peso da reflexão existencial por ele atribuída. A metodologia por ele proposta tentava oferecer respostas às indagações da situação humana, com a devida integração das dimensões existencial e social, o que garante relevância e substancialidade da produção teórica de Tillich, mesmo em outros contextos sociais e em outras épocas. O seu método da correlação procura explicar os conteúdos da fé cristã por intermédio de perguntas existenciais e de respostas teológicas em mútua interdependência.
As perguntas da existência humana e as respostas teológicas conduzem o ser humano a um ponto que não se refere a um momento no tempo, mas ao ser essencial do humano em sua unidade existencial que reúne a finitude humana e a infinitude divina. Nesse sentido, ficam destacadas as preocupações de Tillich com a cultura, com a história e com a busca do Incondicionado.
Tillich compreendia que somente as pessoas e os grupos que experimentarem o impacto da transitoriedade, a ansiedade gerada pela consciência de sua finitude, a ameaça do não-ser, as ambigüidades trágicas da existência histórica e questionarem radicalmente o sentido da existência, podem entender o que significam a Palavra e o Reino de Deus. Ainda que previamente, é possível concluir que o Reino de Deus, uma vez em correlação com o enigma da existência histórica, é o sentido, a plenitude e a unidade da história. A experiência de vida, o método teológico e a preocupação de Tillich em estabelecer uma relação da teologia com a cultura e com a história, e a busca incessante pelo Incondicionado, como Preocupação Última, são aspectos que o autorizam como interlocutor nas reflexões teológicas de hoje.
Utilizando de padrão os conceitos de manifestação da “divindade” nos aspecto cultural de uma sociedade podemos notar “insights” de ação e manifesto de um Deus que é símbolo para Deus. Em tempos modernos, onde a igreja paradoxalmente é medieval, notamos a insurgência de gritos proféticos dos “cultuados culturalizadores”. Os artistas, outrora subversivos e saltimbancos, assumem a voz profética de uma igreja que se cala frente à sociedade atônita. A igreja se cala mediante a sociedade e sussurra para Deus sem nada conseguir. Os artistas gritam para si mesmos, mas se tornam os profetas de uma sociedade sem Deus.
Quando seremos novamente profetas? Não sei. Alusivo ao proposto acima e relembrando o post sobre John Lennon do amigo Allan, gritou MICHAEL JACKSON!
We Are The World (tradução)
USA For Africa
Composição: Michael Jackson & Lionel Ritchie
We are the World (Nós Somos o Mundo)
Chega um momento, quando ouvimos uma certa chamada
Quando o mundo tem que vir junto como um só
Há pessoas morrendo
E está na hora de dar uma mão a vida
O maior presente de todos
Nós não podemos continuar fingindo todos os dias
Que alguém, em algum lugar irá mudar
Todos nós somos parte da grande família de Deus
É a verdade
Você sabe que o amor é tudo que nós precisamos
Refrão:
Nós somos o mundo, nós somos as crianças
Nós que fazemos um dia mais brilhante
Assim comecemos nos dedicando
Há uma escolha que nós estamos fazendo
Nós estamos salvando nossas próprias vidas
É verdade que nós faremos um dia melhor, só você e eu
Lhes envie seu coração assim eles saberão que alguém se preocupa
E as vidas deles serão mais fortes e independentes
Como Deus nos mostrou transformando pedras em pão
E por isso todos nós temos que dar uma mão amiga
refrão
Quando você está acabado, e não aparece nenhuma esperança
Mas se você acredita que não há nenhum modo que nos faça cair
Nos deixa perceber que uma mudança só pode vir
Quando nós nos levantamos junto como um só
Thiago Barbosa