sexta-feira, 20 de julho de 2012
Reflexões sobre morte e vida
domingo, 12 de fevereiro de 2012
A VIDA NOS LIVROS - É assim a vida com os livros:
é vento que acaricia o rosto livre
é voo que guia aos sem destino
é vida que vem e que vai nas palavras
é o saber daquilo que não se sabe;
é o destino que escreve a alma humana
é a alma que acalenta a esperança
é esperança que, teimosa, insiste em dar graça
é Graça que teima em resistir
é o saber que bate à porta e liberta
que enumera as possibilidades que se apresentam
que refaz a vida das migalhas
é palavra que acalenta
é vida que teima em seguir
e quando segue e finda, ainda há o que viver.
(Thiago Barbosa)
terça-feira, 22 de março de 2011
Missão e teologia
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Uma ecologia espiritual
Apenas apresento o texto de Marcelo Gleiser. Grandioso, pertubardor, Teológico.
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Uma ecologia espiritual
O respeito à vida como verdade universal leva a um estado em que agimos como os guardiões dela |
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ESTÁ NA HORA de irmos em frente e deixar para trás o desgastado embate entre a ciência e a religião, que já não rende nada. É preciso encontrarmos um novo rumo, ir além da polarização linear que vem caracterizando as discussões do papel da fé e da razão na vida das pessoas por mais de cem anos. A ciência não se propõe a roubar Deus das pessoas, e nem toda prática religiosa é anticientífica. Existe uma outra dimensão a ser explorada, ortogonal a esse eixo em torno do qual giram os argumentos mais comuns.
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Um caminho possível é explorar valores morais de caráter universal que desafiem a linearidade do cabo de guerra entre a ciência e a religião.
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Bem sei que, para muita gente, a proposta de encontrar valores morais universais representa já um beco sem saída. Relativistas culturais, por exemplo, argumentarão que esses valores universais não existem, que o que é certo para um pode ser errado para outro. Por exemplo, culturas nas quais a poligamia é aceita.
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Para encontrar valores morais universais, precisamos ir mais fundo. Não podem ser valores que variem de cultura para cultura ou em épocas diferentes, como a ideia do casamento. Sugiro que o valor mais efetivo que podemos explorar vem da única certeza universal que temos: a morte.
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A morte não é recebida com prazer em nenhuma cultura. Claro, alguns veem a morte como uma transição para uma nova vida, ou um mero aspecto de uma existência sem fim. Outros podem até vê-la como um ato heroico de martírio. Mas, tirando fundamentalistas radicais, ninguém em boa saúde física e mental escolhe morrer. Portanto, de todos os valores morais que podemos imaginar, proponho que o mais universal seja a preservação da vida.
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Não me refiro apenas à vida humana. Quando percebemos o quanto nossas vidas dependem do planeta que habitamos, damos-nos conta de que precisamos agir para preservar todas as formas de vida. É óbvio que temos que garantir nossa existência, e que isso requer que consumamos alimentos. Mas esse consumo não precisa ser predatório. Pode ser planejado para que mantenha um equilíbrio saudável entre o que é produzido e o que é consumido.
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Quanto mais saudável o planeta, mais saudável a economia. Isso pode não ser óbvio a curto prazo, mas em intervalos de décadas é. Este é o século em que finalmente iremos entender que precisamos estabelecer uma relação simbiótica com a Terra. Talvez essa seja a lição mais importante que a ciência moderna tem a ensinar.
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O respeito à vida como moral universal leva a uma ecologia espiritual na qual nós, como espécie dominante do planeta, agimos como guardiões da vida. Com isso, a dimensão espiritual que nos é tão importante ganha expressão na devoção ao planeta e às suas formas de vida.
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Esse senso de conexão espiritual com a natureza é celebrado tanto na ciência quanto na religião. De Einstein a Santa Teresa de Ávila (grato a Frei Betto, por me chamar atenção para esta obra), o mundo é festejado como sacro. As palavras variam, mesmo a motivação pode variar; mas, em sua essência, a mensagem é a mesma. Acho difícil encontrar uma moral universal mais básica do que o respeito à vida e ao planeta que a abriga de forma tão generosa. Ao menos, é um começo.
http://marcelogleiser.blogspot.com/2010/08/uma-ecologia-espiritual.html
Thiago Barbosa
domingo, 21 de março de 2010
Prazer em poucas coisas
1. Uma vez, um homem muito mais experiente que eu disse-me que quando se é jovem muitas coisas são prazerosas; a energia vital impulsiona o viver, intensamente, a cada oferta da vida - com ardor. Mas quando se chega à idade dos cabelos brancos, poucas coisas restam como prazer, ficando, somente, angustias. É claro que, na época, achei meio pessimista o pensamento, hoje, porém, mesmo ainda jovem, mais próximo dos trinta, vejo que o paladar capta menos os sabores das guloseimas da vida do que antes.
2. Alguma coisa começa a trazer perturbação. Parece que a magia e a paixão com que se encara a vida, vão se esvaindo e, quase que de ímpeto, bate na porta da consciência a angustia do tempo e do mundo dos homens. O tempo passa, e é necessário acordar. Assim, vamos perdendo o prazer, a mágica percepção, a energia.
3. Já me sinto velho. E não penso que ser velho é ruim, mas a consciência da velhice pode trazer alguns desprazeres quando entendemos que as limitações se aproximam enquanto a vida passa. Tão novo – dizem – mas o que domina mesmo, principalmente nesses tempos, em minha alma, é um espírito envelhecido. Poucas coisas me dão prazer na vida, talvez três ou quatro coisas. Uma delas me dar extremo prazer, o que ainda posso sentir, é estar do lado de kel.
4. Ao lado dessa pequena deusa de
5. Os livros também me dão prazer. Apesar de ser novato na arte da leitura, prática dos intelectuais, procuro me dedicar, não somente em decifrá-los, mas também tê-los. Neles, tenho me encontrado sempre na busca de um sonho de criança: ser um daquelas “caras intelectuais, de óculos e tudo...”.
6. A música conclui meus objetos de prazer. Ela faz parte de minha vida desde os oito anos quando saíram os primeiros sopros na flautinha doce, ainda bem inocentes, nos cultos de domingo à noite na pequena “Fonte de Água Viva”. Desde então despertou o espírito artístico no jovem negro filho de operário, filho de mulher do lar... Quem diria, um dia sonhou, e tocou no Municipal!
7. Essas poucas coisas não estão distantes num lugar celeste, não preciso esperar, satisfaço-me aqui e agora. Poucas coisas, mas estão em minhas mãos e por isso as faço meu prazer pois
“Os vivos sabem ao menos que morrerão; os mortos, porém, não sabem de mais nada. Não há para eles retribuição, uma vez que a sua lembrança é esquecida. Seu amor, ódio e ciúmes já pereceram, e eles nunca mais participarão de tudo o que se faz debaixo do sol.” (COÉLET 9,5)
Jonathan