A arte de pensar livremente

A arte de pensar livremente
Aqui somos pretensiosos escribas. Nesses pergaminhos virtuais jazem o sangue, o suor e as lágrimas dos que se propõem a pensar com autonomia. (TeHILAT HAKeMAH YIRe'aT YHWH) prov 9,10a
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ao iconoclasta mijão, olhar de alteridade.



Eis o verdadeiro desafio às autoridades. Este é o verdadeiro iconoclasta.
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Ao prefaciar sua penúltima obra Friedrich Nietzsche, romântico e cavaleiro do apocalipse das estruturas vigentes desde sempre até então, faz duas afirmações complementares à tantas outras, principalmente após Zaratustra: "Existe poder de curar mesmo no ferimento" e "há mais ídolos que realidades no mundo".
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Com urina se cura a ferida. Água morna, sódio e potássio são são vigorosos sépticos, mesmo que em meio ao asco cultural e contradições da medicina moderna. Com urina, inofensiva e pueril combate-se o aço frio das proposições bélicas.
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Salve, salve, salve... jovem ídolo mijão!

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Thiago Barbosa

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quando líderes modernos copiam Zaratustra

Enfim terminei a releitura do “livro amaldiçoado”. Assim falou Zaratustra é uma obra prima. Um grito profundo de agonia mediante uma humanidade que não assume a soberania da consciência. Embora muitos duvidem, continuo cristão. Isso se dá pela plena concepção de Deus ser símbolo para Deus. Paul Tillich, o teólogo da cultura, nos salva do ácido causticante emanado das vociferações “Nietzschianas” ao apresentar a impossibilidade de representação real do Sagrado. Nossos apontamentos ao Deus nada mais é que especulação, Deus é símbolo por ser impossível sua descrição por ser sua essência reclusa à metafísica. O Deus morto por Zaratustra é símbolo, molde, charge, imaginário humano. A real essência divina não se faz conhecida. Nenhuma novidade, afinal, Feuerbach em seu “A essência do Cristianismo” já apontava ser a teologia, nossa amada e exaltada “ciência”, nada mais que antropologia. Nesse aspecto Zaratustra é poeta, a Saga do profeta nos encaminha aos calabouços mais profundos, aos grilhões mais resistentes, à angustia mais profunda do homem em sua busca de uma visão, enfim, antropocêntrica.

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Minha triste constatação se dá na cópia “ipsis litteris” das ações aristocráticas apresentadas por Nietzsche em Zaratustra, e pior, a cópia se dá nas comunidades de fé religiosa. Nas igrejas há tempos não se vê reflexão sobre o homem e sua interação com o mundo, há tempos não se vê relação fraterna de manutenção. Agora membros das comunidades de fé assumem a literalidade da imagem mítico-literária da “ovelha”. O povo, nas mãos dos péssimos líderes que se apresentam, tornou-se gado. Assim sendo:

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Se não nos convertermos e não fizermos como as vacas, não poderemos entrar no reino dos céus. Que há uma coisa que deveríamos aprender delas: é ruminar (refletir).

É, claro, de que serviria ao homem alcançar o mundo inteiro, se não aprendesse uma coisa, se não aprendesse a ruminar (refletir)?

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Pensando nos líderes de nossas comunidades, vejo outra passagem, tão cáustica como a anterior. Nossos líderes tornaram-se homens maus. Novidade alguma, já era real esse apontamento no Antigo Israel. Assim apontava o salmista no cap. 53:3-4. (Desviaram-se todos, e, juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão, e não invocam a Deus?). Os líderes eram maus no livro de Salmos, igualmente malévolos no grito de Zaratustra e no coração de Nietzsche, e, infelizmente, continuam trilhando esse caminho em nossos dias. Assim falou Zaratustra:

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Que me importam a praça pública e a populaça e as orelhas compridas da populaça?

Homens superiores, aprendei isto comigo: na praça pública ninguém acredita no homem superior. E se teimais em falar lá, a populaça diz: Todos somos iguais.

Homens superiores, assim diz a populaça. Não há homens superiores; todos somos iguais; perante Deus um homem não é mais do que outro; todos somos iguais!

Perante Deus! Mas agora esse Deus morreu; e perante a populaça nós não queremos ser iguais. Homens superiores, fugi da praça pública!

...Ó meus irmãos! Subjulgai-me esses senhores atuais (os da praça pública), subjulgai-me essa gentinha!; são o maior perigo para o Super-homem.

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Homens da praça pública, vejam sua força! Afinal, quando Deus fizer voltar os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel (Sl 53:6b).

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Quanto a mim resta a esperança de aprender com erros de outros e desviar dos tropeços dos que me antecederam.

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Thiago Barbosa

segunda-feira, 8 de março de 2010

Quando Nietzsche pensou sobre amizade...

Se se quiser ter um amigo, é preciso também guerrear por ele; e para guerrear é mister poder ser inimigo.
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É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando? No amigo deve-se ver o melhor inimigo. Com teu coração, deves estar o mais próximo possível dele quando lhe opões resistência.
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Gostarias de não trazer vestimenta alguma diante dele? Deve ser uma honra para o teu amigo que te mostres a ele tal qual és? Pois é por isso que ele te manda para o diabo!
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Já viste dormir o teu amigo, para saberes como ele é? Qual é então, a cara do teu amigo? É a tua própria cara num espelho tosco e imperfeito.
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O amigo deve ser mestre na adivinhaçõa e no silêncio: não deves quere ver tudo. O teu sonho deve revelar-te o que faz o teu amigo durante a vigília. Seja a tua compaixão uma adivinhação, é mister que, primeiro que tudo, saibas se o teu amigo quer compaixão.
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Serás tu para o teu amigo ar puro e soledade, pão e remédio? Há quem não possa desatar as suas próprias cadeias e todavia seja salvador do amigo.
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És escravo? Então não podes ser amigo.
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És tirano? Então não podes ter amigo.
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Existe a camaradagem. Tomara que exista a amizade.
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Assim falava Zaratustra...
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Amém...rs...(obrigado Diogo, Thiaguinho e Cidão)
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Thiago Barbosa

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma dose de veneno


Na tentativa constante de ser Anjo e, no máximo, conseguir ser Homem, cansei-me. Cansei-me de tentar ser Anjo e resolvi nessa direção: a direção em que me torno Homem. Homem bem terreno, mais, impossível.
Que o diga Zaratustra:

" O meu Eu ensinou-me um novo orgulho, que eu ensino aos homens: não ocultar a cabeça nas nuvens celestes, mas levá-la descoberta; sustentar erguida uma cabeça terrestre que creia no sentido da terra."

Talvez me falte coragem para beber toda essa bebida,a pesar de me embreagar com os olhos...

Jonathan