quinta-feira, 10 de novembro de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Roda Viva com Leonardo Boff
Thiago Barbosa
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Aprendendo com o pai de Leonardo Boff
Marina Amaral - Você teve educação religiosa formal. Como era a parte formal de ir à missa, essa relação que as crianças têm com a religião católica, essa imagem de que Deus está espiando tudo o que você está fazendo, que vai te castigar, como era isso pra você?
Leonardo Boff - Olha, primeiro que não havia missa. Havia uma missa a cada três meses mais ou menos, porque o padre circulava, vinha a cavalo, mas todo domingo tinha o rosário, com as ladainhas italianas, as orações todas em latim, e meu pai ajudava nessas coisas. Ele era extremamente libertário e gerou na família todo esse espírito. Por exemplo, ele dizia: "Deus inventou os padres, o sacerdócio. O diabo inventou o clero. O clero tem de ser enforcado com a tripa do último padre, porque a desgraça é o clero na Igreja". (risos) Então, ele já nos ensinava essas coisas desde pequeninos. Eu fui para o seminário dizendo: "Olha, o clero tem de ser enforcado". (risos) Quase me mandam de volta! Uma frase que sempre guardo dele é: "A Igreja Católica vive daquilo que Jesus não quis". Isto é, poder, instituição, aparato, e dizia: "A referência nossa tem de ser a Bíblia, porque ela é a palavra de Jesus, lá você não vê poder, não vê nada disso". E ele tinha na biblioteca dois autores proibidos: A Origem das Espécies, de Darwin, e os romances de Dumas, que eram todos proibidos, estavam no index. Uma vez fui para o seminário com aqueles livros, quase fui excomungado, porque quem lia se auto-excomungava. Então cheguei com dois livros de Alexandre Dumas, e eles: "Como? Você, com 15 anos, está excomungado". Fizeram uma delegação de três padres pra visitar meu pai, pra ele entregar ou queimar os livros. Ele disse: "Absolutamente, eu queimo vocês, mas não os livros". (risos)
Frei Betto - Diga do epitáfio que está no túmulo dele.
Leonardo Boff - Colocamos no epitáfio dele: "De sua boca ouvimos, de sua vida aprendemos, quem não vive para servir não serve para viver".
Leo Gilson Ribeiro - Ele tinha algum santo de devoção, por exemplo, São Francisco de Assis?
Leonardo Boff - Não. Ele não venerava nenhum santo, porque dizia: "Quem conhece Deus não venera os santos, porque vai logo no Supremo". Ele gostava de São Francisco, mas não como interlocução, nisso ele era bastante protestante, eu diria.
Sim são palavras de sabedoria, de libertação, bem se vê que somos o que recebemos, por genética e por aprendizado...
Sejamos assim, próximos ao criador, com livres-acessos; sejamos curiosos, mesmo quanto ao index que nos é imposto; sejamos servos e finalmente vivos...
Thiago Barbosa
sábado, 12 de dezembro de 2009
Leonardo Boff, Darcy Ribeiro e a borboleta...
Leonardo Boff - O Darcy Ribeiro deixou no testamento que eu deveria fazer a encomendação do cadáver dele, e eu fiz. Também o que faço muito é atender pessoas que têm uma crise espiritual, estão em busca de alguma coisa, e pedem uma conversa. O Darcy pediu: "Eu quero a minha grande conversa com o frei Betto e o frei Boff". O Betto estava na África, tentei chamá-lo, não encontrei, e fui sozinho. Digamos que foi a última grande conversa entre tantas que tive com o Darcy. Ele disse: "Boff, quero ter uma conversa metafísica. Quero abordar a questão da morte, o que vem depois da morte, e não tem nenhum interlocutor, entre os meus amigos, que possa sustentar o discurso que eu quero". Fui lá uns quinze dias antes de ele morrer, e ele se abriu: "Quero discutir com você o tema da morte, porque estou enfrentando a morte, o meu último grande desafio". Então me fez ler o prefácio do inédito Confissões (livro lançado posteriormente), em que faz uma leitura de sua vida, não uma autobiografia, mas fatos relevantes, luminosos da vida dele. E terminava o prefácio dizendo: "Pena que a vida, tão carregada de lutas e fracassos, e vitórias, e vontade de trabalhar, seja marcada por uma profunda desesperança, porque nós voltamos, através da morte, ao pó cósmico, ao esquecimento, e ficamos na memória, que é curta e só de algumas pessoas, e voltamos à diluição cósmica". Então eu disse, ao terminar a leitura: "Darcy, acho que é uma interpretação de quem vê de fora. É como você ver a borboleta, e ver o casulo. Você pode chorar pelo casulo que foi deixado para trás e ver que ele morreu. Mas você pode olhar a borboleta e dizer: "Não, ele libertou a borboleta, e ela é a esperança de vida que está dentro do casulo".
Interessante, novamente uma entrevista me chama a atenção. Como gostaria de ser uma mosca para presenciar esta conversa.
Thiago Barbosa