quarta-feira, 25 de julho de 2012
Ferreira Gullart - A necessidade da Arte
terça-feira, 15 de junho de 2010
Celebração do Sincretismo Brasileiro
"Mesmo após o fim da escravidão e o Estado laico-republicano, o negro vivia – e vive de certa forma até hoje – sob a condição tácita de comungar do credo católico. E aprendeu, assim como todo brasileiro mestiço, a acender uma vela para o santo e outra para o orixá. Ou ainda, no sincretismo mais clássico, a acender uma única vela para um santo-orixá, com características próprias de duas matrizes, com lógicas e dinâmicas completamente diversas, quando não antagônicas entre si.
Essa capacidade própria do brasileiro, mas também presente em outras sociedades, é um poderoso antídoto contra os efeitos malignos da globalização. A capacidade de absorção e re-processamento de práticas, modos e crenças permite, por um lado, o esvaziamento das barreiras internas contra o avanço da camaleônica cultura do consumo, e, de outro, a possibilidade de avanço e diálogo com as outras formas de interação, convivência e expressão presentes na arena global. O que pode significar a abertura de mercados para as indústrias culturais brasileiras.
Celebrar o sincretismo e a mestiçagem como um traço inerente e potencializador da cultura brasileira é questão de preservação e promoção da memória e das tradições. Um exemplo recente disso é o movimento Mangue-beat
Tropicália, bossa-nova e muitos outros movimentos culturais brasileiros nascidos na indústria do entretenimento, partem desse jeito brasileiro de ativar e dialogar com o outro, a partir da valorização do seu próprio referencial simbólico.
Mas como permitir o desenvolvimento artístico e o acesso a esses mercados a uma camada da população distante do Estado e dos meios de comunicação?"
* trecho do livro O Poder da Cultura.
Jonathan
O Olhar e o tempo
O Tempo, grande tutor
que em seu labor ensina o olhar.
O olhar para a vida, minha, incompreendida.
Tenha, vida; esperança! Que o tempo passa e ensina
o que o olhar percebia, o tempo transforma.
Faz ver o que importa:
a aparência real da vida.
Arte não é para todos! Não? Se se diz que arte não é para todos, todos que a acessam são super-homens. Não creio que Zaratustra tinha preferências em seu convite para se tornar um super-homem. Basta olhar para si e perceber que se é cria do tempo, aluno dele. E assim, olhando, descobre-se um punhado de coisas que são suas, muito suas. A arte como a religião, a cultura, tudo está lá, dentro do homem, esse, percebendo-se como sujeito, agente, homem, é super, tem poderes, é mágico. Mas como se descobre homem, ou super-homem? O tempo. Ele corre e, em sua corrida, sopra o vento da percepção que começa como uma brisa no rosto do jovem que sente a percepção aumentando e, aumentando também vai a noção do real, da vida real, das coisas de homem.
Acho que o tempo amadurece o sujeito, e esse, passa a se expressar como terreno, andar como terreno, homem do mundo. Conhece seus limites ao mesmo tempo em que os transpõe. Percebo hoje o real como real. A magia da infância transforma-se. Se antes não sentia dores, hoje as sinto e sinto realmente. Mas a magia não era mentira, era verdade, hoje, porém, transformou-se em força que cria possibilidades. Tudo culpa do Tempo. Então posso. Posso expressar-me de forma humana e, a arte é humana, tão humana que só os humanos a produzem, linguagem que vem de dentro, mais do que imagem, ser. Fiz, então, essa produção humana acima, pois o tempo tem me ensinado a ser homem.
Jonathan Douglas Pereira